Desde janeiro foram pelo menos quatro acidentes e a rede ferroviária de praticamente todo o país passou a operar em capacidade reduzida.
A colisão entre dois comboios de passageiros entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo, Espanha, que ocorreu esta quarta-feira, aconteceu apenas 283 dias depois do trágico acidente em Adamuz, Córdoba, que causou 46 mortos a 18 de janeiro. Apenas dois dias depois, um maquinista da Rodalies morreu e 37 pessoas ficaram feridas num outro acidente em Gelida, Barcelona, e foi registado um outro descarrilamento na província de Girona devido a uma pedra na via. Neste último acidente não foram registados feridos.
Descarrilamento de comboio em EspanhaAP
Ocorreu mais um acidente, em feridos graves, um em Cartagena, Múrcia, no mês de janeiro onde seis pessoas sofreram ferimentos leves depois de um comboio ir contra uma grua que estava a invadir o espaço dos caminhos de ferro.
Desde janeiro foram pelo menos cinco os acidentes verificados em Espanha pelo que a rede ferroviária de praticamente todo o país passou a operar em capacidade reduzida e com limites de velocidade preventivos em todos as secções onde foram detetados problemas. Existiram outro acidentes menores como um descarrilamento de um comboio de mercadorias nas Astúrias ou um incêndio num comboio no início deste mês.
Apesar de ainda não existir muita informação quanto ao acidente desta quarta-feira, as autoridades espanholas apontam para um "erro humano por parte de um operador da Adif durante uma falha no sistema de sinalização principal". Ainda assim, a manutenção das infraestruturas tem sido questionada devido aos sucessivos acidentes e um relatório publicado em setembro pela Guarda Civil reforçou esta teoria. Seja como for, a investigação final sobre o acidente de janeiro encontra-se ainda em andamento.
Antes destes acidentes a rede ferroviária espanhola já estava sob escrutínio devido aos roubos de cobre, a retirada dos comboios Avril S-106 por questões operacionais e de segurança, além de um acidente numa carruagem da Renfe – que viajava sem passageiros – que se desprendeu do resto do comboio e ficou descontrolada.
No verão de 2025, quatro em cada dez comboios circulavam atrasados e o ministro dos Transportes, Óscar Puente, foi ao parlamento discutir os problemas do sistema, especialmente os que envolvem os comboios de alta velocidade. Nesse dia previu que os problemas poderiam manter-se durante vários anos devido à coexistência de comboios novos e velhos, uma vez que os mais novos apresentam sempre problemas de adaptação, enquanto que os mais antigos se encontram desgastados, referindo, por isso, problemas de falta de investimento.
Os sindicatos também têm referido problemas devido ao aumento da operação por outras empresas, na sequência da liberalização do serviço.
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