Estudantes estão a bloquear escolas e as manifestações já deixaram de ser pacíficas. Mais de 5 mil pessoas foram detidas.
Desde a semana passada que milhares de estudantes do ensino secundário têm protestado nas ruas francesas. As manifestações começaram nos arredores de Paris, mas já se espalharam por vários pontos do país. Em causa, está a falta de condições nas escolas, instalações precárias e professores insuficientes. O que começou por ser uma manifestação pacífica deu lugar ao bloqueio de escolas, violência e ateamento de fogo a bens públicos.
O primeiro bloqueio ocorreu a 17 de setembro, numa escola secundária em Créteil, nos subúrbios de Paris, onde os estudantes se juntaram aos professores em greve por melhores condições de trabalho. A comunidade estudantil queixa-se da falta de investimento nas escolas e denunciam a falta de recursos para um ensino de qualidade. Relatam a degradação dos estabelecimentos, marcados pelas inflitrações, muros partidos, equipamentos avariados e, em alguns casos, pragas de ratos e baratas.
Falam também em dias muito cansativos, com extensas cargas horárias (das 8h às 18h), e de um sistema de acesso à universidade injusto e complexo. Há uma preocupação crescente com a equidade na admissão ao ensino superior, já que o fosso entre jovens favorecidos e desfavorecidos parece aumentar, segundo os manifestantes.
Além das marchas com cartazes, os estudantes bloquearam o acesso a 735 escolas apenas na sexta-feira, de acordo com o Ministério da Administração Interna francês. Segundo a Associated Press, atiraram pequenos explosivos contra a polícia e atearam fogo a caixotes do lixo.
O governo de Emmanuel Macron já reiterou que respeita o direito ao protesto pacífico, mas também deu ordens para que a polícia disperse os protestos que bloqueiem o acesso a escolas ou em caso de violência. A polícia de choque fez uso de gás lacrimogéneo e já deteve cerca de 5 mil pessoas desde segunda-feira. 305 agentes ficaram feridos, avança a Associated Press.
Os protetos ocorrem durante a corrida presidencial e alguns candidatos já aproveitaram o tema para a campanha. A líder do Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, pediu mais poder para a polícia, de modo a atuar contra manifestantes violentos. O candidato do Horizontes, Édouard Philippe, condena aqueles que "quebram ou queimam coisas e agridem pessoas". Já o candidato da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, posicionou-se ao lado dos estudantes e caracterizou a ação policial como "selvageria".
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