Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo Jurista especialista em Cibersegurança
17 de outubro de 2026 às 08:00

Habemos Diretor Nacional PSP

Sinceramente acho que foi uma boa escolha, mas gostaria de ver como diretores nacionais adjuntos, pessoas como Superintendente-Chefe Luís Elias, um homem experiente e com muita capacidade quer operacional quer académica, nesta área é fortíssimo.

Pedro Moura é o novo diretor nacional da PSP, com um percurso quase todo construído em duas áreas, a regulação e o combate ao tráfico de armas e a coordenação operacional e europeia de fronteiras.

Identificação e formação

O nome completo que consta de documentos oficiais é Pedro Nuno Resende Melo Coelho de Moura. Nasceu há 59 anos em Almedina, Coimbra, e concluiu o 4.º Curso de Formação de Oficiais de Polícia em 30 de junho de 1992, começando por comandar a esquadra de Abrantes. É licenciado em Ciências Policiais pela Escola Superior de Polícia, pós-graduado em Gestão Civil de Crises e tem o Curso de Estratégia e Direção Policial do ISCPSI. A pós-graduação em gestão civil de crises é um sinal relevante, porque liga a formação a missões internacionais e a coordenação multiagência, que marcam o resto da carreira.

O núcleo duro da carreira está documentado no currículo publicado em Diário da República. Foi chefe da Divisão de Policiamento e Ordem Pública no Departamento de Operações entre 2005 e 2008, e depois chefe da Divisão de Armas e Munições no Departamento de Armas e Explosivos até 2010. Voltou a esse departamento como chefe da Divisão de Investigação e Fiscalização, entre 2012 e 2015, e foi seu diretor de novembro de 2015 a janeiro de 2022, ou seja, mais de seis anos à frente de um departamento que regula e fiscaliza armas, munições e explosivos. Dirigiu depois o Departamento de Operações, de janeiro de 2022 a setembro de 2023. Seguiu-se a chefia do gabinete do diretor nacional da PSP, entre 2023 e 2024.

A sequência mostra passagem do domínio técnico-regulatório para o operacional e depois para o núcleo de decisão da instituição.

Outras funções internas

Chefiou ainda a área operacional do Comando Metropolitano do Porto e foi oficial de ligação da PSP no Gabinete Coordenador de Segurança do MAI. Passou também pelo ensino na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas. Isto dá-lhe conhecimento do terreno, da formação e da articulação com a tutela política.

Dimensão internacional

É a parte mais distintiva. Presidiu ao Grupo Europeu de Peritos em Armas de Fogo, coordenou cursos da CEPOL sobre tráfico de armas de fogo e integrou o grupo de peritos governamentais da ONU sobre excedentes de munições convencionais, onde também foi consultor e formador. O seu currículo na eu-LISA refere ainda a representação da PSP no Conselho de Administração da AIRPOL e no Conselho Estratégico da RAILPOL, entre janeiro de 2022 e setembro de 2023. Nessa mesma agência europeia, que gere os sistemas informáticos de grande escala do espaço de liberdade, segurança e justiça, é o representante principal de Portugal desde 1 de fevereiro de 2025.

Fronteiras e estrangeiros

Desde 27 de maio de 2024 foi coordenador-geral da Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros do Sistema de Segurança Interna. Foi promovido a superintendente-chefe, o posto mais elevado da carreira de oficiais, em novembro de 2025. Recebeu 12 louvores, incluindo duas medalhas de serviços distintos em ouro e duas em prata, a medalha de comportamento exemplar em ouro e uma medalha de distintivo branco da Guardia Civil espanhola. (Superintendente Pedro Moura é o coordenador da Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros

Posse e orientação estratégica

Tomou posse a 13 de outubro de 2026, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, e apresentou cinco compromissos estratégicos, prometendo uma "organização inteligente", melhores condições de trabalho e uma cultura de liderança assente na integridade e no mérito. A ASPP/PSP já avisou que ele assume funções num contexto de forte contestação pela valorização salarial.

Há argumentos sólidos para sustentar que Pedro Moura reúne condições para liderar a modernização tecnológica da PSP, ainda que essa aptidão resulte mais da sua experiência institucional do que de um percurso técnico declarado. É o representante principal de Portugal no Conselho de Administração da eu-LISA, a agência europeia que gere sistemas informáticos de grande escala no espaço de liberdade, segurança e justiça, desde 1 de fevereiro de 2025, o que lhe dá contacto direto com interoperabilidade, bases de dados policiais e proteção de dados a nível europeu. Soma-se a coordenação da Unidade de Fronteiras e Estrangeiros, onde a articulação entre sistemas de informação de várias entidades é central, e mais de seis anos à frente de um departamento fortemente regulado e dependente de registos e licenciamento. No discurso de posse prometeu transformar a polícia numa "organização inteligente", o que coloca a tecnologia no centro do mandato.

Resta, contudo, demonstrar como esse compromisso será concretizado, com que orçamento e com que governação, sobretudo num contexto em que a ASPP/PSP descreve uma fase de forte contestação pela valorização salarial, o que pode condicionar a prioridade dada ao investimento tecnológico.

A qualidade da liderança será, por isso, medida menos pelo currículo e mais pela capacidade de rodear-se de especialistas em cibersegurança, inteligência artificial e proteção de dados, e de submeter novas ferramentas ao escrutínio jurídico que o RGPD, a Diretiva Policial e o Regulamento da Inteligência Artificial exigem.

Sinceramente acho que foi uma boa escolha, mas gostaria de ver como diretores nacionais adjuntos, pessoas como Superintendente-Chefe Luís Elias, um homem experiente e com muita capacidade quer operacional quer académica, nesta área é fortíssimo.

Não gostaria de ver de fora das estruturas diretivas de topo, nomes como: Domingos Urbano Antunes, Carlos Ribeiro, Dário Prates, Sérgio Felgueiras e Hugo Palma, entre outros e a manutenção mais que justa do Ex Diretor Nacional Luís Farinha atual diretor do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. A bem nação.

Para Luís Carrilho, que cessa funções, um obrigado em nome de todos, um Diretor Nacional que fez do seu gabinete a rua, sempre junto dos seus homens e mulheres. Senhor Presidente da República, daqui deverá sair uma possível condecoração mais que justa.

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