Desperdiçam-se mais de mil milhões de toneladas de alimentos, 19% da oferta destinada aos consumidores, denuncia o PNUMA.
A ONU alertou esta segunda-feira, no Dia Internacional do Lixo Zero, que são desperdiçadas pelo menos 1.000 milhões de toneladas de alimentos e que o mundo gera até 2.300 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano.
António Guterres discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova IorqueAP Photo/Richard Drew
"Enquanto centenas de milhões passam fome, desperdiçam-se mais de mil milhões de toneladas de alimentos, 19% da oferta destinada aos consumidores, enquanto 13% se perdem na fase pós-colheita", indicou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em comunicado.
Segundo o PNUMA, 60% do desperdício ocorre em casa, que, no total, deitam fora mais de 1.000 porções de comida por dia, seguidos pelos serviços de alimentação com 28% e pelo comércio a retalho com 12%.
Para comemorar o dia, realizou-se um evento na sede da ONU em Nova Iorque, onde o Secretário-Geral, António Guterres, exortou os consumidores a mudarem os seus hábitos, os retalhistas a otimizarem as suas operações, as cidades a intensificarem a separação de resíduos orgânicos e os governos a promoverem mudanças sistémicas.
"O mundo enfrenta um desafio crescente em matéria de resíduos, associado à produção e ao consumo insustentáveis, a humanidade gera até 2,3 mil milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos todos os anos", lê-se no documento.
De acordo com a PNUMA, a perda e o desperdício de alimentos geram entre 8% e 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa, quase cinco vezes mais do que a indústria da aviação, e só o desperdício de alimentos representa até 14% das emissões globais de metano.
"Não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar recursos preciosos nem suportar o custo de um bilião de dólares anuais que isto representa para a economia global", salientou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.
O Dia Internacional do Desperdício Zero deste ano centrou-se na perda de alimentos, na compreensão do que é deitado fora e em como reduzir esse desperdício para proteger o ambiente, promover a estabilidade económica, reforçar a resiliência comunitária e construir sistemas alimentares mais acessíveis e eficientes.
Em 2022, um grupo de 105 Estados-Membros apresentou à Assembleia Geral da ONU a resolução que instituiu este dia, celebrado todos os dias 30 de março desde 2023, com o objetivo de sensibilizar para estas iniciativas e a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável.
Países como o Japão, com uma redução de 53% em relação ao ano 2000, e o Reino Unido, que diminuiu o desperdício em 22% desde 2007, "demonstram que é possível alcançar mudanças em grande escala".
No entanto, a maioria dos países carece de dados sólidos para acompanhar o progresso rumo ao objetivo de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030.
Foram também realizados eventos em Istambul, Osaka, Brasília, Genebra, Nairobi e várias províncias da China.
ONU alerta para os mil milhões de toneladas de alimentos desperdiçados por ano
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