Julgamento do alegado homicida, que garante estar inocente, conhece esta segunda-feira o desfecho.
Em Valência a população segue atentamente o julgamento do alegado assassino do cónego emérito da catedral da cidade, que morreu asfixiado e estrangulado em casa, a 21 de janeiro de 2024. Don Alfonso López Benito, de 85 anos, teria uma vida secreta a envolver encontros sexuais com pessoas vulneráveis, em troca de dinheiro, comida ou alojamento. O único réu, Miguel VN, nega veementemente o crime, mas a acusação acredita que, mesmo que não tenha estrangulado o padre, o acusado estaria presente no momento da morte e terá desempenhado um papel decisivo no desenrolar dos acontecimentos. A sentença será lida esta segunda-feira.
A catedral de ValênciaLuca Quadrio/Moment RF
A autópsia confirmou que o cónego morreu por um mecanismo combinado de estrangulamento e sufocamento: as vias aéreas foram bloqueadas enquanto era aplicada pressão no pescoço, num ataque frontal e prolongado que durou vários minutos. Não foram detetadas feridas de defesa. O corpo foi encontrado de bruços, com roupa íntima, coberto por um cobertor, sugerindo que terá sido reposicionado após a morte.
O suspeito aponta outro homem como autor do crime, um colombiano chamado Manuel, que teria conhecido na apanha sazonal de laranjas. Não foram encontradas impressões digitais suas, mas casa estaria perfeitamente arrumada, dando a entender que teria havido uma limpeza posterior ao crime.
Horas depois da morte de Dom Alfonso, alguém tentou aceder às suas contas bancárias e Miguel VN admitiu ter levantado dinheiro, mas garante nunca ter desconfiado que o padre estaria morto. Contou que foi Manuel quem o informou. A acusação aponta contradições no depoimento de Miguel VN, uma vez que à hora do crime o seu telemóvel estava em casa da vítima.
Vida dupla
Este julgamento trouxe ao de cima pormenores da vida do cónego, que teria uma vida dupla. Se por um lado mostrava uma rotina de religioso, por outro sabe-se agora que levava jovens vulneráveis para casa - alguns deles com vícios ou deficiências - para ter relações sexuais em troca de dinheiro, comida ou um lugar para dormir. Este facto foi testemunhado pelo porteiro do prédio e pelo seu assistente pessoal.
Don Alfonso teria encontros frequentes e às vezes tumultuosos com estes jovens; as testemunhas referiram discussões sobre pagamentos, acusações verbais de toques inapropriados e cenas de desespero.
Um dos jovens, proveniente de Badajoz e com deficiência intelectual, testemunhou que passou o fim de semana anterior ao crime na casa do cónego. Admitiu ter havido contacto físico consensual e explicou que dividia a cama com o padre. O seu ADN foi encontrado nos lençóis.
O mistério do cónego de Valência que tinha uma vida dupla e acabou estrangulado em casa
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