Quando foi reclamar o prémio percebeu que o seu nome constava do Registo Central de Interdições de Acesso ao Jogo.
Uma espanhola ganhou 35 mil euros na lotaria em agosto do ano passado mas não conseguiu reclamar o dinheiro junto da ONCE (equivalente à Santa Casa da Misericórdia), que pretendia gastar numa viagem de lazer a Portugal. Quando foi resgatar o prémio Carmen, de 79 anos, ficou a saber que o seu nome constava numa lista de pessoas que se proíbem a si próprias de participar em jogos de azar e que tinha sido o marido, entretanto falecido, a registar o seu nome naquela plataforma, sem o seu consentimento.
ONCE vende lotarias em EspanhaAP
Há 13 anos que o nome de Carmen está no Registo Central de Interdições de Acesso ao Jogo em Espanha, sem que ela perceba porquê. Em declarações ao El País a filha mais nova da contemplada garante que a mãe nunca teve problemas com o jogo e agora luta nos tribunais pelo direito de receber o dinheiro.
"A minha mãe telefonou-me a chorar", contou a filha, garantindo que Carmen nunca teve problemas com adições, pois limitava-se a comprar alguns bilhetes de lotaria esporadicamente. "O meu pai era um desastre como marido. Tinha um pensamento machista e não gostava que ela fosse ao bingo no centro social com as amigas, porque ele ficava em casa. Tiveram discussões sobre isso."
O homem morreu em 2015, três anos depois de informar o serviço de regulação e inspeção de jogos do país, sem saber que a restrição serviria apenas para estabelecimentos de jogos oficiais e não para o bingo social onde a mulher ia com as amigas. Enviou a documentação a partir de uma estação dos correios, justificando o pedido com a frequência assídua "de estabelecimentos públicos, casinos e lugares de jogo". Por isso, mediante "solicitação expressa, clara e decisiva", dizia que a mulher aceitava ficar proibida de aceder a "qualquer sistema de jogo estável", com carácter de "autoexclusão irrevogável". No mesmo documento, a que o El País teve acesso, dizia ainda que Carmen autorizava o marido a fazer o pedido em seu nome devido a uma "impossibilidade temporária" em poder deslocar-se.
O caso está num tribunal de Madrid, ao mesmo tempo que um advogado requereu a nulidade do registo de autoproibição de Carmen, alegando que a inscrição foi realizada de forma fraudulenta.
"Esta situação afetou-a muito, não entende o que aconteceu. Pensa que foi enganada pelo banco e até por nós, os filhos. Tem Parkinson e os sintomas têm piorado. O que mais gostava é que ela estivesse tranquila, sem se sentir enganada. E que gastasse o dinheiro em viagens", acrescentou a filha.
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