O Programa Alimentar Mundial alerta que, se o conflito se mantiver até junho, mais 45 milhões de pessoas passarão fome aguda, além dos 320 milhões que já enfrentam a fome em todo o mundo.
Organizações não governamentais (ONG) alertaram que a guerra no Médio Oriente está a impedir milhões de pessoas em todo o mundo de receberem alimentos e medicamentos, uma situação que se agravará se o conflito continuar.
Irão alarga controlo sobre o Estreito de Ormuz AP
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, que retaliou com o encerramento do estreito de Ormuz - uma via marítima fundamental para o mercado petrolífero - e lançou ataques contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
A situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.
As organizações humanitárias disseram que o conflito não só interrompeu rotas marítimas vitais, criando uma crise energética global, como também está a afetar as cadeias de abastecimento, obrigando a utilizar rotas mais dispendiosas e demoradas.
As rotas de centros estratégicos, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, foram afetadas e os custos de transporte dispararam com o aumento das taxas de combustível e de seguro.
O Programa Alimentar Mundial afirma que dezenas de milhares de toneladas de alimentos estão a sofrer atrasos significativos no transporte.
O Comité Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) tem 130 mil dólares (113 mil euros) em produtos farmacêuticos destinados ao Sudão, devastado pela guerra, retidos no Dubai, e quase 670 caixas de alimentos terapêuticos para crianças gravemente desnutridas na Somália, retidas na Índia.
O Fundo das Nações Unidas para a População afirma que o envio de equipamento para 16 países já sofreu atrasos.
Os drásticos cortes dos Estados Unidos na ajuda externa já tinham prejudicado muitos grupos humanitários, que dizem que a guerra está a agravar o problema.
As Nações Unidas afirmam que esta é a perturbação mais significativa da cadeia de abastecimento desde a pandemia de covid-19, com um aumento de até 20% nos custos de envio e atrasos devido ao redirecionamento de mercadorias.
Além disso, a guerra está a criar novas emergências, como no Irão, e também no Líbano, onde pelo menos um milhão de pessoas foram deslocadas.
"A guerra contra o Irão e a disrupção no Estreito de Ormuz correm o risco de levar as operações humanitárias para além dos seus limites", disse a diretora associada de assuntos públicos e comunicação para África do IRC, Madiha Raza.
Mesmo quando os combates cessarem, o impacto nas cadeias de abastecimento globais poderá continuar a atrasar a ajuda humanitária vital durante meses, disse Raza.
O aumento dos preços também significa que as organizações têm de fazer escolhas difíceis.
"No final, sacrifica-se o número de crianças que se serve (...) ou sacrifica-se a quantidade de artigos que se pode comprar", disse a presidente da Save the Children para os Estados Unidos, Janti Soeripto.
O grupo afirmou que tem reserva nos países onde opera, mas alguns deles podem esgotar em poucas semanas.
A Médicos Sem Fronteiras afirmou que o aumento dos preços dos combustíveis na Somália --- onde cerca de 6,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda --- elevou os custos de transporte e alimentação, dificultando o acesso aos cuidados médicos.
Na Nigéria, o IRC afirma que os preços dos combustíveis subiram 50% e as clínicas estão a ter dificuldades em manter equipamentos, como geradores, a funcionar, e as equipas móveis de saúde reduziram as suas operações.
Uma das maiores preocupações é o impacto que a guerra terá na fome global.
O Programa Alimentar Mundial alerta que, se o conflito se mantiver até junho, mais 45 milhões de pessoas passarão fome aguda, somando-se aos quase 320 milhões de pessoas que enfrentam a fome em todo o mundo.
Cerca de 30% dos fertilizantes do mundo são transportados através do estreito de Ormuz e, com a época de plantação a aproximar-se em zonas como a África Oriental e o sul da Ásia, os pequenos agricultores dos países pobres poderão ser duramente atingidos.
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