Franco exumado de Vale dos Caídos numa cerimónia rodeada de secretismo

Cátia Andrea Costa 24 de outubro de 2019

Governo espanhol vai gastar mais de 60 mil euros para transladar os restos mortais do antigo ditador da basílica para o cemitério El Pardo-Mingorrubio. Só 22 familiares vão estar presentes, não haverá captura de imagens e quem visitar Vale dos Caídos terá que deixar os aparelhos electrónicos na entrada.

Os restos mortais do ditador espanhol, Francisco Franco, vão ser exumados esta quinta-feira, numa cerimónia que começa às 10h30 (mais uma hora que em Portugal Continental). Todo o processo de trasladação entre a Basílica do Vale dos Caídos e o cemitério de El Pardo-Mingorrubio, nos arredores de Madrid, está cercado por fortes medidas de segurança, requer um protocolo muito fechado e vai acontecer longe dos olhares de todos os que não sejam familiares.

O governo espanhol garantiu que a cerimónia, que vai custar mais de 60 mil euros, se vai realizar com todas as condições de "dignidade e respeito". A família tentou condenar a exumação ao fracasso apresentando vários recursos na justiça, mas o executivo liderado por Pedro Sánchez acabou por receber autorização tanto do Supremo, como do próprio Vaticano. Segundo a imprensa espanhola, nada que tenha acalmado os ânimos dos familiares de Franco, que já fizeram saber que não querem trocar nenhum cumprimento com a ministra da Justiça, Dolores Delgado, que estará presente como notária maior do Reino de Espanha. Uma perita forense irá garantir que as duas operações cumprem todas as regras.

A cerimónia de exumação será levada a cabo por uma agência funerária cujo nome foi mantido em segredo por razões de segurança. A lápide que tem servido de túmulo ao ditador, uma pela de granito que pesa aproximadamente 150 quilos, vai ser retirada por grua e colocada num local secreto.

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