A relatora especial da ONU para a Palestina tem estado sob fogo depois de afirmações que Estados consideraram demonstrar "antissemitismo".
Mais de uma centena de artistas assinaram uma carta aberta em apoio à relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, cuja demissão foi exigida pela França e pela Alemanha devido a declarações sobre a guerra israelita na Faixa de Gaza.
Francesca Albanese, relatora da ONU, enfrenta críticas de estados europeus e apoio de artistasAP Photo/Gregorio Borgia
Entre os artistas que assinaram a carta de apoio à redatora da ONU contam-se os atores Mark Ruffalo e Javier Bardem, a vencedora do Prémio Nobel Annie Ernaux e a cantora britânica Annie Lennox. Na carta divulgada no sábado pelo grupo Artistas pela Palestina, os signatários mostram “total apoio a Francesca Albanese, defensora dos direitos humanos e, por conseguinte, também do direito do povo palestiniano à existência”. Além de artistas, cem deputados da Aliança da Esquerda Europeia (ELA), onde se insere o Bloco de Esquerda, subscreveram uma carta a expressar o "total apoio e solidariedade" a Francesca Albanese. Entre os signatários estão a eurodeputada Catarina Martins e o deputado Fabian Figueiredo.
Em causa está o pedido de destituição de Albanese, que foi das primeiras figuras públicas a afirmar que havia um "genocídio" em Gaza a ser perpetuado por Israel. A 7 de fevereiro, Albanese denunciou, numa mensagem de vídeo gravada e mostrada num fórum no Catar, “o planeamento e a execução de um genocídio” em Gaza após o ataque a 7 de outubro de 2023 levado a cabo pelo Hamas em território israelita e que causou a morte de mais de 1.200 pessoas. Albanese apontou que, “em vez de deter Israel, a maior parte do mundo armou-o, dando-lhe pretextos políticos, proteção política e apoio económico e financeiro”.
Mas as declarações que causaram maior polémica foram feitas depois: "Vemos agora que, como Humanidade, temos um inimigo comum, e as liberdades – o respeito pelas liberdades fundamentais – são a última ferramenta pacífica que temos para conquistar a nossa liberdade”. Estas declarações começaram a circular nas redes sociais afirmando que Albanese tinha "desculpado" aquele que é tido como o maior ataque antissemita desde o Holocausto. “Nunca justifiquei o 7 de outubro, isso é pura e simplesmente difamação”, afirmou a relatora especial das Nações Unidas. Numa publicação nas redes sociais, também explicou que se referia ao “sistema que permitiu o genocídio na Palestina” como o “inimigo comum”.
De acordo com o Le Monde, Paris prepara-se mesmo para exigir a demissão de Albanese a 23 de fevereiro, durante uma sessão do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, disse que Albanese é uma “ativista política".
Os governos italiano e austríaco apoiam os apelos de Paris para destituir Albanese do cargo nas Nações Unidas. O vice-presidente do Conselho de Ministros de Itália, Antonio Tajani, escreveu no X que os comentários de Albanese não refletem a posição de Roma. A ministra austríaca para os Assuntos Europeus e Internacionais, Beate Meinl-Reisinger, afirmou que Albanese classificou Israel como um “inimigo da Humanidade” e classificou aquele discurso como uma linguagem que “mina a imparcialidade e os mais elevados padrões exigidos pelo cargo de representante da ONU”.
Já o porta-voz de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou: "Sempre acreditámos que a instituição dos relatores especiais, embora completamente independente do secretário-geral, é uma parte importante da arquitetura internacional dos direitos humanos. Nem sempre concordamos com o que dizem, e isso inclui a senhora Albanese".
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