A seca extrema está a esvaziar o Danúbio. Enquanto centrais nucleares e hidroelétricas lutam para continuar a funcionar, navios da II Guerra Mundial e fósseis de mamutes reaparecem.
Tem quase 3.000 km de extensão, atravessa 10 países - da Floresta Negra, na Alemanha, ao Mar Negro - e os níveis da água atingiram mínimos históricos. Tanto que, à tona, estão a aparecer navios afundados durante a II Guerra Mundial. E fósseis de mamutes.
Em Budapeste é evidente o baixo nível da água do DanúbioAP Photo/Bela Szandelszky
A Europa Central e de Leste está em risco de crise energética devido aos níveis de água excecionalmente baixos no rio Danúbio que colocaram várias centrais elétricas à beira da paralisação. Vários governos estão a tentar minimizar a situação, mas enquanto a preocupação se instala, vão emergindo ecos do passado nas águas do rio.
A seca persistente e as sucessivas ondas de calor extremo retiraram grandes quantidades de água de um dos maiores rios da Europa. Em Budapeste, capital da Hungria, na segunda-feira o rio tinha descido cerca de 10 centímetros, abaixo do anterior mínimo histórico de 33 centímetros, registado em 2018. Ainda não há previsões para a subida da água, uma vez que os serviços meteorológicos não anteveem chuva. Ao mesmo tempo, as temperaturas continuam a superar os 38.º, provocando um aumento do consumo de água e de eletricidade.
Corrida contra o tempo
E é na Hungria que está em risco de paragem a única central nuclear do país, pela primeira vez em 44 anos de funcionamento. A central de Paks alimenta-se de água do Danúbio para arrefecer os quatro reatores e na segunda-feira estava a produzir apenas 240 megawatts de eletricidade, em vez dos habituais 2.000 megawatts.
Na Roménia a situação é igualmente de alarme. Esta quinta-feira, o exército romeno utilizou 180 kg de explosivos para rebentar rocha nas proximidades do Canal de Bala, no Danúbio, com o objetivo de redirecionar a água para o canal principal do rio, numa tentativa de redirecionar a água em direção à central nuclear de Cernavoda, de forma a ganhar mais algum tempo e tentar manter em funcionamento um dos dois reatores. Esta central é responsável por cerca de 20% da produção de eletricidade do país.
Os níveis baixos do Danúbio também reduziram a capacidade de funcionamento da principal central hidroelétrica da Sérvia para apenas 20% da sua capacidade normal. O primeiro-ministro, Djuro Macut, apelou à população para que reduzisse ao mínimo o uso de aparelhos domésticos com elevado consumo de eletricidade, como os aparelhos de ar condicionado, classificando a situação como "grave e exigente".
Surpresas históricas
Os níveis da água desceram tanto que começaram a reaparecer à superfície dezenas de navios de guerra alemães da II Guerra Mundial, no que tem sido uma espécie de distração em tempos de crise. Um dos exemplos pode ser visto nas proximidades do porto sérvio de Prahovo, onde jaz um casco enferrujado de um desses navios, bem como um mastro partido.
Navio alemão afundado perto de PrahovoAP Photo/Darko Vojinovic
Tratam-se de embarcações da frota alemã do Mar Negro que transportavam armamento e foram deliberadamente afundados pela Alemanha nazi durante a retirada da Roménia, à medida que o exército soviético avançava para o interior da Europa durante a II Guerra Mundial. Só nesta zona, avança a Associated Press, foram afundados perto de 200 navios alemães, em setembro de 1944.
Mas há outros achados a vir à tona. Um dos mais surpreendentes foi a descoberta de fósseis de um antigo mamute nas águas do Danúbio na Bulgária. Especialistas do Museu Regional de História de Ruse iniciaram trabalhos de escavação e remoção do que se acredita serem os restos de um mamute-lanoso, uma espécie extinta há milhares de anos que viveu durante a Idade do Gelo.
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