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Autarca japonesa criticada por tirar licença de maternidade: "Não esperava que fosse tão polémico"

Shoko Kawata, que planeia regressar ao trabalho em dezembro, garante que o vice-presidente é plenamente capaz de ocupar o seu lugar.

A presidente da câmara de Yawata, uma cidade a oeste do Japão, está a ser fortemente criticada depois de anunciar que vai tirar licença de maternidade. O assunto tornou-se tema de debate nacional, mesmo depois de Shoko Kawata, de 35 anos, garantir que o seu vice-presidente conseguirá administrar plenamente a autarquia na sua ausência.  

Shoko Kawata é autarca e mãe
Shoko Kawata é autarca e mãe Instagram/Shoko Kawata

Kawata é a primeira mulher presidente de câmara do país a tirar esta licença, planeando regressar ao trabalho em dezembro deste ano. Recebeu apoio de alguns setores, mas foi criticada por outros, o que a surpreendeu. "Não esperava que isto fosse tão polémico. Ainda existe a ideia que no trabalho as pessoas devem sacrificar as suas vidas pessoais para se dedicarem à carreira", lamenta a japonesa, em declarações ao The Guardian.

A autarca, que assumiu o cargo há dois anos, teve agora o primeiro filho e explica que precisa de tempo para recuperar. "No caso dos homens, o parto não os afeta fisicamente, então tecnicamente é possível continuar a trabalhar enquanto se deixa a vida privada em segundo plano. Mas para as mulheres isso simplesmente não é possível.” 

O Japão pode ser um dos países mais desenvolvidos do mundo, mas há áreas, como a igualdade de género, em que precisa de evoluir. Num relatório recente sobre o tema ficou em 118º lugar entre 148 países, a pior posição entre os países do G7. "Embora a igualdade de género tenha melhorado no Japão, as mulheres têm de lutar para alcançar posições de liderança", admite Shoko Kawata ao jornal inglês. "Se houver mais mulheres envolvidas em cargos de liderança e na tomada de decisões, seremos capazes de implementar mais sistemas sociais que apoiem o equilíbrio entre a carreira e a vida familiar".

Formada em Economia pela Universidade de Kyoto, candidatou-se como independente e, em 2023, tornou-se aos 33 anos a mais jovem presidente de câmara do país. Nos três anos que se seguiram focou-se no combate ao despovoamento, um problema que afeta todo o Japão. "Sempre tive consciência do declínio da população, mas quando assumi o cargo, comecei a compreender verdadeiramente a gravidade da situação."

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