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Venezuela: Governo "envergonhou" Portugal quando "mandou grupo de polícias"

09 de fevereiro de 2019 às 21:36

Para Martins da Cruz, é preciso "cuidar da geografia da língua portuguesa" e das comunidades nacionais "espalhadas pelo mundo".

O embaixador António Martins da Cruz acusou hoje oGovernode ter envergonhadoPortugalpor ter mandado, "há dias" e "tarde e a más horas" um "grupo de polícias" para aVenezuela, sem "preparar a viagem".

No Congresso Nacional do partidoAliança, liderado por Pedro Santana Lopes, o embaixador, que discursou como convidado, defendeu que Portugal tem de ter uma política externa "ativa e atenta às mudanças e as evoluções da situação internacional".

Mas, no seu entender, não foi isto que o Governo fez, "há dias", relativamente à Venezuela, "quando mandou, à última hora, um grupo de polícias" para este país, "tarde e a más horas".

"Não preparou a viagem, fê-lo já depois de ter anunciado que ia deixar de conhecer o presidente [Nicolás] Maduro e, com isto, envergonhou a Polícia, mas, sobretudo, envergonhou Portugal e ainda tentou abafar o assunto", criticou.

O embaixador António Martins da Cruz aludia ao grupo de operacionais do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP que, esta semana, aterrou na Venezuela, mas foi impedido de entrar no país, segundo o que foi noticiado na comunicação social.

Para Martins da Cruz, é preciso "cuidar da geografia da língua portuguesa" e das comunidades nacionais "espalhadas pelo mundo", como a que "está a sofrer por exemplo agora na Venezuela".

"Os portugueses que emigraram são parte da nossa pátria, fazem parte da nossa identidade. Nós temos que os defender, temos que os saber proteger, onde quer que estejam, onde quer que vivam, onde quer que trabalhem", defendeu.

A diáspora portuguesa, sublinhou, suscitando palmas na plateia do congresso, "é também a identidade nacional de Portugal".

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconhece Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes. 

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