Taiwan confia em aprovação rápida norte-americana de novo pacote de armas para a ilha
Estas declarações surgem um mês após a cimeira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, na qual ambos abordaram a situação de Taiwan.
O Presidente de Taiwan afirmou esta quinta-feira confiar que os Estados Unidos aprovem "de forma rápida" um pacote de armas para a ilha, num contexto de incerteza quanto ao compromisso do Governo norte-americano com a defesa do território.
"As vendas de armas em questão estão atualmente em curso. O que posso confirmar é que o compromisso dos EUA com a segurança de Taiwan não se alterou, e ambas as partes estão alinhadas nos objetivos de reforçar a segurança e acelerar o fortalecimento das capacidades de autodefesa de Taiwan", sublinhou William Lai Ching-te.
Numa conferência de imprensa organizada pelo Clube de Correspondentes Estrangeiros de Taiwan, Lai recordou as recentes declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que, no início de junho, afirmou que um pacote de armas para a ilha, no valor de 14 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros), ainda se encontrava "em análise".
"Rubio afirmou perante o Congresso que as vendas de armas estavam 'em análise', não suspensas nem interrompidas. Também vimos que, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aprovaram 18 mil milhões de dólares [15,6 mil milhões de euros] em diversos pacotes de armas para Taiwan e, recentemente, autorizaram outro no valor de 11 mil milhões [9,5 mil milhões de euros]", salientou o líder da ilha.
"Temos grandes expectativas em relação a esta venda de armas e estou confiante de que, após a análise, o Governo dos EUA a aprovará o mais rapidamente possível", acrescentou.
Estas declarações surgem um mês após a cimeira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, na qual ambos abordaram a situação de Taiwan, uma ilha governada de forma autónoma que Pequim reivindica ser território chinês.
Após o encontro, o republicano definiu a venda de armas a Taipé como uma "ótima moeda de troca" para Washington e chegou mesmo a sugerir, em várias ocasiões, que abordaria diretamente esta questão com Lai, um contacto direto que quebraria décadas de prática diplomática norte-americana.
Neste contexto, o Presidente taiwanês aproveitou a intervenção perante a imprensa estrangeira para sublinhar que as aquisições militares da ilha aos EUA "não são meramente a aquisição de armas", mas transmitem também à comunidade internacional o compromisso de Taiwan com a sua própria segurança.
"As aquisições militares no estrangeiro são uma via, enquanto a promoção da autonomia de defesa por parte de Taiwan é outra; ambas são igualmente importantes. O essencial é que a orientação do reforço das capacidades de defesa próprias de Taiwan não deve mudar, e o nosso ritmo também não pode abrandar", sublinhou.
Taipé, que mantém relações diplomáticas formais com apenas doze Estados, depende em grande medida do armamento norte-americano para dissuadir uma possível agressão da China.