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Os últimos territórios europeus em África

Francisco Máximo Gaié 02 de agosto de 2026 às 08:00

Ceuta e Melilha fazem parte do território de Espanha desde o século XVI e são pontos frequentes de passagem de migrantes. Marrocos reivindica os territórios desde a sua independência.

Entraram na manhã de quinta-feira , a maioria de nacionalidade marroquina. Atravessaram a fronteira a nado, pelo pontão de Tarajal, que faz fronteira entre o enclave espanhol e Marrocos. Na travessia morreram pelo menos 34 pessoas.

Migrants rest outside the Temporary Center for Immigrants (CETI) after crossing from Morocco into the Spanish enclave of Ceuta, Friday, Antonio Sempere

Os pequenos enclaves de Ceuta e Melilha, situados na costa norte de Marrocos, são os únicos territórios europeus remanescentes na África continental. Os territórios, que pertencem à Espanha desde o século XVI, nunca foram reconhecidos por Marrocos, que os classifica como uma herança do colonialismo. O país africano, que ganhou independência da Espanha e França em 1956, reivindica os enclaves como parte integrante do seu território, ideia reiteradamente rejeitada pelos sucessivos governos espanhóis.

Os enclaves têm uma extensa história com os países ibéricos. Ceuta é descrita pelos historiadores como um ponto de partida para a conquista islâmica da Península Ibérica, no século VIII. 

Em 1415, voltou a estar no centro da História ibérica quando foi conquistada por Portugal, durante o reinado de D. João I, marcando o início da época dos Descobrimentos. Melilha foi tomada pelos espanhóis em 1497. Com a formação da União Ibérica, que uniu Portugal e Espanha durante os reinados dos três Filipes de Espanha, Ceuta passou a ser administrada pela Coroa espanhola, onde se manteve depois do fim da união em 1640.

O estatuto dos territórios foi mudando ao longo do tempo. À , o cientista político marroquino Samir Bennis explicou que Ceuta e Melilha foram alternando entre “fortificações militares e prisões a céu aberto”. Foi só em 1995 que Espanha reconheceu as duas cidades como regiões autónomas.   

Episódios passados

Em 2021, Ceuta viveu uma crise migratória semelhante à de esta semana, apesar de em menor escala: entraram no território aproximadamente 10 mil pessoas. Um ano depois, em 2022, Melilha foi o centro de uma tentativa de passagem de aproximadamente 1700 pessoas, a maioria refugiados do Sudão e do Sudão do Sul. Passaram a cerca que divide Marrocos do território e foram recebidos pela polícia marroquina, que os atingiu com pedras e balas de borracha. No , como ficou conhecido o incidente, morreram 37 pessoas.

Com Diogo Barreto

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