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Mais de 500 mortes durante os protestos no Irão

Diogo Barreto 11 de janeiro de 2026 às 21:16

As comunicações continuam em baixo no Irão por decisão governamental e números podem estar desfasados dos reais.

Já morreram mais de 500 pessoas nos protestos no Irão, segundo o balanço mais recente da Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), criada por exilados iranianos e com sede nos Estados Unidos, citada pela agência Reuters. Deste número, mais de 40 são de agentes das autoridades iranianas. Mais de dez mil pessoas foram presas em duas semanas.
Irão ameaça EUA e Israel enquanto protestos contra o regime se intensificam
Os números reais podem ser superiores aos divulgados, tendo em conta o apagão de comunicações no Irão, que dificulta a verificação dos dados, ressalva a Reuters. O corte da Internet decidido na quinta-feira pelas autoridades iranianas, devido aos protestos contra o governo, continuava em vigor, há mais de 72 horas. A televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação, sem mencionar os manifestantes mortos, descritos como "terroristas". “Depois de vários terroristas armados terem atacado locais públicos e incendiado propriedades privadas na noite passada, não houve notícias de qualquer aglomeração ou caos em Teerão e na maioria das províncias”, avançou a emissora estatal. Mas um vídeo colocado nas redes sociais e verificado pela agência de notícias Associated Press mostrava manifestações na zona de Saadat Abad, no norte da capital, com o que pareciam ser milhares de pessoas nas ruas. “Morte a Khamenei!”, gritava um homem, numa referência ao líder supremo do Irão, o 'ayatollah' Ali Khamenei. A vaga de manifestações em quase todo o país contra a teocracia iraniana atinge hoje duas semanas. Os protestos começaram inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar e transformaram-se numa contestação política contra o regime. No sábado, o Presidente norte-americano afirmou que o Irão quer liberdade e que os Estados Unidos "estão prontos para ajudar". "O Irão aspira à liberdade, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!", escreveu Donald Trump nas redes sociais. A mensagem de Trump foi publicada quando o movimento de protesto contra o poder ganha força no país, fazendo temer a resposta das autoridades. O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, avisou que qualquer pessoa que participe em protestos, como os que há vários dias contestam o regime do país, será considerada "inimiga de Deus", acusação punível com pena de morte. A declaração do procurador-geral do Irão, transmitida pela televisão estatal, surgiu depois de, na sexta-feira, Ali Khamenei ter afirmado que o país "ia iniciar" uma repressão.
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