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Irlandês com visto de trabalho válido detido pelo ICE há cinco meses

Débora Calheiros Lourenço 09 de fevereiro de 2026 às 19:20

Seamus Culleton vive nos Estados Unidos há mais de vinte anos e é casado com uma norte-americana.

Um irlandês passou os últimos cinco meses detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos e pode ser deportado, apesar de ter um visto de trabalho válido e não ter antecedentes criminais.  
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Seamus Culleton foi detido a 9 de setembro de 2025, em Massachusettes enquanto estava a voltar para casa depois do trabalho. Ogor Winnie Okoye, o seu advogado, já afirmou que Culleton não passava de um “imigrante modelo” que se tornou uma vítima de um sistema ineficiente.  Originário da cidade de Kilkenny, Culleton vive nos Estados Unidos há mais de vinte anos, é casado com uma cidadã norte-americana e tem uma empresa de gesso na região de Boston. Depois de ser detido foi mantido nas instalações do ICE em Boston e em Buffalo antes de ser transferido para El Paso, no Texas, onde atualmente divide uma cela com mais 70 homens.  O irlandês descreveu o centro de detenção como sendo frio, húmido e imundo, além de ser um local onde existem muitos conflitos devido à falta de comida: “É como um campo de concentração, um verdadeiro inferno”, descreveu ao . Nos últimos cinco meses Culleton perdeu peso e cabelo: “Não há higiene nenhuma”, partilhou com a sua família no domingo, durante o primeiro contacto que teve com eles em cinco meses.  
Ao jornal irlandês, Seamus Culleton referiu que no momento em que foi detido tinha na sua posse uma autorização de trabalho válida emitida como parte de um pedido de visto permanente, o conhecido green card, feito em abril de 2025. Já nas instalações de Buffalo, Culleton recusou-se a assinar um formulário a concordar com a deportação e assinalou um campo onde expressava o desejo de contestar a sua prisão por ser casado com uma cidadã estadunidense e ter um visto de trabalho válido.   Em novembro do ano passado um juiz aprovou a sua libertação mediante o pagamento de uma fiança de 4 mil dólares, mas depois do pagamento as autoridades mantiveram a detenção sem explicações. Quando o seu advogado recorreu a um tribunal federal, dois agentes do ICE referiram que o irlandês assinou um documento onde concordava com a deportação, apesar de Culleton reforçar que as assinaturas não eram suas: “Toda a minha vida está aqui, trabalhei muito para construir o meu negócio. A minha esposa está aqui”. Da segunda vez o juiz referiu que existiam irregularidades nos documentos judiciais do ICE, mas decidiu a favor da agência.  De acordo com as leis norte-americanas, Culleton não pode recorrer, pelo que o imigrante partilhou com o Irish Times não saber o que vai acontecer. Funcionários do centro de detenção tentaram convencê-lo a assinar uma nova ordem de deportação na semana passada, mas Culleton recusou.   Ogor Winnie Okoye defendeu que o governo dos Estados Unidos tem poder para libertar o seu cliente e que estava a agir de forma ineficiente e caprichosa em relação a um imigrante que estava em processo de obtenção do green card: “Aqui está um senhor que é um imigrante exemplar. Ele era dono de um negócio de sucesso e é casa com uma cidadã americana”.  
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