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Hamas espiava palestinianos dissidentes

Débora Calheiros Lourenço 21 de maio de 2024 às 07:00

Documentos conseguidos por uma equipa de inteligência israelita demonstram arquivos com informações sobre pelo menos dez mil palestinianos. Jornalistas e jovens eram os mais afetados.

Yahya Sinwar, líder do Hamas na Faixa de Gaza, supervisionou durante anos uma força policial secreta cujo principal objetivo era vigiar os palestinianos e construir um arquivo sobre jovens, jornalistas e todos aqueles que questionavam a sua liderança. 

REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Estas informações são avançadas pelo jornal norte-americano New York Times, que verificou os documentos conseguidos por uma equipa de inteligência israelita. 

A unidade conhecida como Serviço de Segurança Geral dependia de uma rede de informadores dentro de Gaza: alguns chegavam a denunciar os seus próprios vizinhos e amigos.
 
Os documentos demonstram que os líderes do Hamas, apesar de garantirem representar o povo de Gaza, não permitem vozes de dissidência. Os nomes de todos aqueles que participaram em protestos ou criticaram publicamente o Hamas foram identificados. As críticas ao Hamas foram ainda retiradas das redes sociais.
 
Segundo a direção de inteligência militar de Israel, foram apreendidos durante um ataque terrestre arquivos com informações sobre pelo menos dez mil palestinianos em Gaza relativas a ocorrências entre outubro de 2016 e agosto de 2023. 

Ehab Fasfous, um jornalista palestiniano que vive no enclave, partilhou com oNew York Times: "Enfrentamos bombardeamentos por parte da ocupação e violência por parte das autoridades locais".  

Segundo os documentos, o Serviço de Segurança Geral tinha despesas mensais de mais de 100 mil euros e incluía 856 pessoas, 160 pagas para difundir a propaganda do Hamas e lançar ataquesonlinecontra opositores locais e estrangeiros.  

As autoridades de inteligência israelita acreditam ainda queYahya Sinwarsupervisionava diretamente o Serviço de Segurança Geral. Os ficheiros mencionavam ainda que eram usadas táticas como censura, intimidação e vigilância, enquanto a violência física era evitada. 

O Serviço de Segurança Geral pretendia também impor uma ordem social conservadora. Segundo os documentos, em dezembro de 2017 as autoridades investigaram uma denúncia de que uma mulher estava a agir "imoralmente" com um dono de uma loja de roupas. O relatório afirma que a mulher visitou a loja durante uma hora num dia e duas horas no dia seguinte. Apesar de um relatório não conseguir indicar provas de irregularidades, propôs que as "partes relevantes" tratassem do assunto.

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