Governo Trump recua no desmantelamento de uma rede de observação oceânica
A informação desta rede é usada para estudar os ambientes costeiros, os ecossistemas marinhos e as correntes que influenciam o clima mundial.
Face a uma oposição que até conta com senadores republicanos, o governo de Donald Trump suspendeu esta quinta-feira o seu projeto de desmantelamento de uma rede de observação oceânica utilizada desde há uma década.
Constituída por centenas de instrumentos instalados em profundidade no Atlântico e Pacífico, esta instalação pertence à iniciativa dos observatórios oceânicos e é principalmente financiada por fundos federais, via Fundação Nacional para a Ciência.
Esta última declarou esta quinta-feira "registar as preocupações expressas" e colocou imediatamente em pausa o desmantelamento. O anúncio é feito um dia depois de o Senado ter aprovado um texto que visa impedir o governo de prosseguir com o desmantelamento, anunciado em maio.
Instalada há 10 anos, esta rede de instrumentos custou mais de 360 milhões de dólares e foi concebida para funcionar durante 25 anos. A sua informação é usada para estudar os ambientes costeiros, os ecossistemas marinhos e as correntes que influenciam o clima mundial.
Já permitiu assim compreender a absorção dos gases com efeito de serra pelos oceanos ou avaliar o efeito das vagas de calor marinhas nos recursos piscícolas.
"Não nos podíamos permitir livrar" desta infraestrutura "sem igual no mundo", disse Chris Robbins, da ONG Ocean Conservancy, em comunicado enviado à AFP. A rede "fornece dados que salvam vida literalmente e preservam meios de subsistência", realçou.
Desde que regressou à Casa Branca, Trump tem atacado a investigação sobre o ambiente e a rutura climática global, por exemplo, através dos cortes nos orçamentos destas áreas.