Secções
Entrar

Filha de Gisèle Pelicot clama por justiça: “Sei que o meu pai me violou. Sou a grande esquecida do caso”

Gabriela Ângelo 18 de março de 2026 às 19:59

Entre 2016 e 2019 o seu pai tirou fotografias suas enquanto estava inconsciente. Nas buscas ao seu computador foi encontrada uma pasta nos ficheiros apagados intitulada “a minha filha nua”.

Caroline Darian, cujo apelido artístico vem da junção do nome dos seus irmãos, David e Florian, é filha de Gisèle e Dominique Pelicot, o casal no centro de um dos casos de abusos sexuais mais chocantes nos últimos anos. O seu pai foi acusado e julgado por ter drogado a sua mulher durante uma década e ter convidado mais de 50 homens para ter relações sexuais com ela enquanto estava inconsciente. 

Caroline Darian, filha de Gisèle e Dominique Pelicot AP

Dominique foi preso inicialmente depois de ter sido apanhado a filmar por baixo de sais de raparigas num supermercado na França, e mais tarde, depois de buscas à sua casa, foram descobertos vídeos e imagens da sua mulher e filha inconscientes e nuas. 

A filha do casal Pelicot não teve de renunciar o nome do pai, uma vez que adotou o do marido quando se casou, mas decidiu construir um alter ego fortalecido pelo amor fraternal para enfrentar a reconstrução da sua vida e transformar a sociedade. Em entrevista ao jornal espanhol , na sequência do lançamento do seu segundo livro Pour que l'on se souvienne ("Para que não se esqueça"), em Espanha, ainda indisponível em Portugal, recorda o momento em que descobriu que também era alvo dos abusos do pai. 

Entre 2016 e 2019 Dominique tinha tirado fotografias suas enquanto estava inconsciente. Nas buscas ao seu computador, foi encontrada uma pasta nos ficheiros apagados intitulada “a minha filha nua”. Caroline assumiu que ele também a tinha violado. “Ele não se limitou a tirar-me fotos, estou absolutamente convencida, tendo em conta o que ele fez à minha mãe, aquela barbaridade a que a submeteu, quem esperaria algum tipo de moderação em relação à filha”, questionou a mulher de 47 anos. “Quero ser reconhecida como vítima do meu pai”, afirma. 

Atualmente aguarda notícias sobre a queixa que apresentou contra ele há cerca de um ano, no mesmo tribunal em Avignon que o condenou a 20 anos de prisão. “Não temos notícias, prestei depoimento pela última vez a 25 de novembro e, desde então, não tive mais notícias”, lamenta. “A minha impressão é que a Procuradoria se dedicou ao caso da minha mãe, no qual havia provas suficientes e não considera prioritário o da filha, sou a grande esquecida deste caso”, argumenta. 

Questionada sobre se Gisèle acredita que Dominique abusou sexualmente da filha, Caroline diz que a sua mãe se “concentra nas provas e, por enquanto, não há provas”. “Suponha que, para ela, seja melhor concluir que isso não acontecer, seria muito mais difícil encarar a verdade e admitir que não conseguiu proteger a sua filha”, defende. 

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas