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Ex-ministro da Energia da Ucrânia acusado no pior caso de corrupção desde início da guerra

Lusa 16 de fevereiro de 2026 às 11:20

Herman Galushchenko é acusado de branqueamento de capitais e de integrar uma rede criminosa, após ter sido detido no fim de semana quando tentava abandonar o país.

As autoridades ucranianas acusaram esta segunda-feira o ex-ministro da Energia Herman Galushchenko de branqueamento de capitais e de integrar uma rede criminosa, após ter sido detido no fim de semana quando tentava abandonar o país.
Herman Galushchenko, à esquerda, na foto com o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica AP
A Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), responsável pela operação, confirmou a informação e anunciou o alargamento do "círculo de suspeitos" no âmbito de um processo que investiga corrupção no setor energético. "O ex-ministro da Energia foi exposto por branqueamento de capitais e participação numa organização criminosa", anunciou a NABU num comunicado divulgado nas redes sociais, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP). A acusação formal ocorre um dia depois de o político ter tentado cruzar a fronteira para fugir à "Operação Midas", considerada a maior investigação de corrupção na Ucrânia desde o início da invasão russa, há quatro anos. O processo centra-se num sistema de subornos de larga escala que envolve contratos da Energoatom, a operadora estatal de centrais nucleares. Os investigadores revelaram que cerca de 7,4 milhões de dólares (6,2 milhões de euros, ao câmbio atual) foram transferidos para contas bancárias pertencentes à família de Galushchenko, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). Além destes valores, as autoridades calculam que mais de 2,7 milhões de euros tenham sido entregues em numerário diretamente à família do ex-governante, na Suíça.
Galushchenko ocupava a pasta da Energia no início da guerra, em fevereiro de 2022, e transitou para o Ministério da Justiça em julho de 2025. O ex-ministro demitiu-se em novembro do ano passado, por exigência de Zelensky, devido ao avanço das investigações. Galushchenko negou na altura qualquer envolvimento no escândalo de corrupção e afirmou que se defenderia perante a justiça. As autoridades suspeitam de Timur Mindich, coproprietário da produtora Kvartal 95, como o líder da rede. Mindich, que se encontra em parte incerta fora da Ucrânia, é um antigo sócio do Presidente Volodymyr Zelensky, que fundou a produtora antes de assumir a chefia do Estado. A Ucrânia tem enfrentado problemas crónicos de corrupção, sendo o combate ao flagelo considerado uma condição essencial para a adesão à União Europeia. A NABU disse que estava a colaborar com 15 países no âmbito da vasta investigação internacional que envolve o ex-ministro da Energia.
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