Secções
Entrar

Em 2014, 43 estudantes desapareceram no México. PGR, polícias e militares foram agora detidos

Lusa 20 de agosto de 2022 às 11:21

O caso foi considerado "crime de Estado". 43 jovens foram presos pela polícia local em conluio com um cartel, alvejados e queimados num aterro sanitário.

A justiça mexicana ordenou, na sexta-feira, a detenção do antigo procurador-geral e 20 militares e 44 polícias pelo alegado envolvimento no desaparecimento em 2014 de 43 estudantes.

REUTERS/Henry Romero

Os mandados de captura foram emitidos um dia depois da publicação de um relatório oficial que considerou o caso "crime de Estado".

Na sexta-feira à noite, o antigo procurador-geral Jesus Murillo Karam foi detido em casa por "desaparecimento forçado, tortura e ofensas contra a administração da justiça", de acordo com um comunicado do Ministério Público, que anunciou, em seguida, a emissão de mandados de captura para 64 agentes policiais e militares procurados por "crime organizado, desaparecimento forçado, tortura, homicídio e ofensas contra a administração da justiça".

O Ministério Público emitiu também mandados de captura para 14 membros do cartel de drogas Guerreros Unidos.

Em setembro de 2014, um grupo de estudantes da escola de formação de professores de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, no sul do país, tinha viajado para a cidade vizinha de Iguala, a partir da qual partiria com destino à Cidade do México para participar numa manifestação.

Os 43 jovens foram presos pela polícia local em conluio com Guerreros Unidos, alvejados e queimados num aterro sanitário por razões que permanecem pouco claras. Só foram identificados os restos mortais de três deles.

Na quinta-feira, um relatório oficial publicado pela Comissão da Verdade de Ayotzinapa, criada pelo Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, concluiu que os militares mexicanos tinham responsabilidade no crime.

Murillo Karam, que serviu sob o Presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018) e liderou uma controversa investigação inicial sobre os desaparecimentos, é um antigo "peso pesado" do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México durante 71 anos sem interrupção até 2000.

É a figura mais importante detida até agora nas investigações, que foram reiniciadas de raiz, depois da posse de López Obrador, em 2019.

"As suas ações, omissões ou participação permitiram o desaparecimento e execução dos estudantes, bem como o assassínio de seis outras pessoas", disse o subsecretário do Interior mexicano, Alejandro Encinas, durante a apresentação pública do relatório. 

Artigos Relacionados
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Portugal

Assim se fez (e desfez) o tribunal mais poderoso do País

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela
Portugal

O estranho caso da escuta, do bruxo Demba e do juiz vingativo

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela