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Dos protestos à guerra, do inverno à energia: os desafios do novo primeiro-ministro da Ucrânia

Isabel Dantas 18 de julho de 2026 às 11:07

Engenheiro de formação, Serhii Koretskyi está habituado a gerir crises em empresas problemáticas. Mas estará preparado para liderar o governo de um país em guerra? Zelensky acredita que sim.

Serhii Koretskyi até está habituado a gerir crises, mas agora terá pela frente o maior desafio da sua carreira: liderar um país em guerra. O gestor, de 48 anos, foi nomeado na última quinta-feira primeiro-ministro da Ucrânia e, contrariamente à maioria dos funcionários do seu governo, não ascendeu através de partidos políticos.

Serhii Koretskyi, de 48 anos, é o novo primeiro-ministro da Ucrânia AP

Engenheiro de formação, Koretskyi fez toda uma carreira no setor empresarial, tendo gerido durante mais de duas décadas indústrias de combustíveis e alimentos antes de ter sido escolhido para liderar algumas das empresas estatais de energia mais problemáticas da Ucrânia. E tornou-as lucrativas. Não só aumentaram a produção, como foram alvo de um processo de modernização, tornaram-se uma das maiores fontes de receita do Estado.

Só que agora abraçou uma causa ainda mais complexa: vai liderar um governo de um país em guerra, atolado em problemas financeiros decorrentes do conflito com a Rússia, necessitando para tal de esgrimir perspicácia, destreza política e muita diplomacia. O facto de não ter ligações políticas nem estar ligado a oligarcas foram os pontos fortes para os quais Zelensky olhou na hora de escolher o sucessor de Yulia Svyrydenko, que estava no cargo há um ano.

Mas os desafios que Koretskyi terá pela frente serão extremamente complexos e o mandato já começou de forma conturbada. Enquanto os parlamentares votavam a sua confirmação, centenas de manifestantes reuniam-se no centro de Kiev furiosos com Zelensky, acusando-o de marginalizar injustamente o popular ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, na repentina reformulação do governo.  

As prioridades imediatas de Koretskyi incluem proteger o debilitado sistema energético da Ucrânia, estabilizar a economia, garantir que a ajuda internacional seja gasta de forma eficaz e expandir a produção nacional de armamento, segundo o próprio explicou no parlamento. E há ainda a questão do inverno rigoroso, que Zelensky já definiu como uma prioridade.

Experiência não lhe falta. Em 2022, depois de o governo ter assumido o controlo da produtora de petróleo Ukrnafta e da  refinaria Ukrtatnafta, do oligarca Ihor Kolomoiskyi, Koretskyi foi nomeado para liderar ambas as empresas simultaneamente. Em apenas dois anos a Ukrnafta registou lucros recorde, saldou as dívidas que tinha ao fisco e expandiu a produção. A empresa tornou-se uma das maiores contribuintes da Ucrânia e uma importante colaboradora do esforço de guerra, fornecendo combustível às forças armadas e financiando a indústria dos drones.

No ano passado, Koretskyi foi escolhido para liderar a Naftogaz, uma gigante estatal de energia, num momento conturbado. As reservas de gás tinham caído para níveis recorde depois de a gestão anterior não ter conseguido garantir importações suficientes e de a Rússia ter intensificado os ataques às instalações de produção.

O agora primeiro-ministro levou a cabo uma auditoria que desencadeou uma reestruturação abrangente, otimizando o quadro de funcionários. As medidas geraram críticas internas, mas a empresa não só reconstruiu as suas reservas de gás como ainda alcançou lucros recorde.

A União Europeia, entretanto, aplaudiu a nomeação. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen afirmou esperar uma "excelente cooperação" e "reformas ambiciosas" para a futura adesão à União Europeia (UE). "Parabéns, Serhiy Koretskyi, pela sua confirmação como primeiro-ministro. Esperamos continuar a nossa excelente cooperação com a Ucrânia e estamos confiantes de que colocará a integração europeia da Ucrânia no centro dos esforços de transformação do país", escreveu Ursula von der Leyen numa mensagem na rede social X.

A líder do executivo comunitário adiantou: "Pode contar com o nosso total apoio enquanto avança com a sua ambiciosa agenda de reformas, nomeadamente nas áreas do Estado de direito, da energia e de outros setores fundamentais da economia".

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