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Do Alasca às Ilhas Virgens: EUA têm longa história de compras territoriais

Renata Lima Lobo 11 de janeiro de 2026 às 08:00

O Império Russo, França, México ou mesmo a Dinamarca, venderam, no passado, territórios aos Estados Unidos.

É um dos temas internacionais mais quentes da atualidade, embora se trate de um dos territórios mais frios do planeta. Donald Trump insiste na vontade de comprar a Gronelândia, região autónoma da Dinamarca que, na verdade, é cobiçada pelos Estados Unidos da América há 200 anos.
Dinamarca discorda de nomeação de Jeff Landry como enviado dos EUA para a Gronelândia AP
É de Doutrina Monroe, datada de 1823, que hoje se volta a falar: com um lema focado no conceito da “América para os americanos”, condenava a ingerência europeia nas Américas, mas posteriormente acabou por servir uma política expansionista, com o pretexto de impedir o regresso ao continente das potências coloniais europeias. E ditou a política externa norte-americana no século seguinte. Em 1867, e terminada a Guerra Civil nos EUA, William H. Seward, secretário de Estado norte-americano de filosofia expansionista, liderou as negociações com o então Império Russo para a compra do Alasca. O tratado assinado teve um valor final de venda fixado nos 7,2 milhões de dólares, qualquer coisa como 157 milhões de euros aos dias de hoje. Nesse mesmo ano, Seward propôs à Dinamarca a compra da Gronelândia e também da Islândia, que nessa altura era território da coroa dinamarquesa, num plano que também considerou a anexação do Canadá. Outro dos países que foram, , alvo do desejo expansionista de Trump. Nenhum destes planos se concretizou e foi apenas em 1917 que os EUA pareceram esquecer o negócio, ano em que a Dinamarca aceitou vender as suas Ilhas Virgens, nas Caraíbas, por 25 milhões de dólares, o equivalente a 633 milhões de dólares em 2026. Na verdade, os EUA são o país do mundo mais experiente neste tipo de negócios. Outro exemplo, são os territórios hoje equivalentes ao sul do Arizona e do Estado do Novo México, na sequência de uma compra ao próprio México em 1853, com o objetivo principal de construir uma ferrovia. A batizada de “Compra Gadsen”, que aconteceu após a Guerra Mexicano-Americana (1846–1848) e negociada pelo diplomata James Gadsden - durante o mandato do presidente estadunidense Franklin Pierce - custou 10 milhões de dólares, quase 421 milhões em 2026. Mas os EUA passaram outros cheques para acrescentar território ao país. Se andarmos ainda mais para trás, em 1803 a França (liderada por Napoleão Bonaparte) vendeu uma enorme massa de terra, num negócio que acabou por ajudar a desenhar o que são hoje os EUA. A operação chamada "Compra da Louisiana" custou 15 milhões de dólares (hoje 430 milhões, uma pechincha) e incluiu terras que hoje correspondem, total ou parcialmente, aos Estados do Louisiana, Arkansas, Missouri, Iowa, Oklahoma, Kansas, Nebraska, Dakota do Norte e do Sul, partes de Minnesota, Novo México, Texas, Montana, Wyoming e Colorado.
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