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Demitiu-se por discordar da guerra no Irão e agora está mira do FBI: "Verdade dos factos está do meu lado"

Isabel Dantas 22 de março de 2026 às 10:17

Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, acusou a administração Trump de ceder à pressão de Israel para dar início ao conflito.

Joe Kent do cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo devido à guerra no Irão, mas admitiu estar a preparar-se para represálias políticas. O antigo veterano das forças especiais do exército norte-americano saiu por não concordar com a ofensiva, garantindo que o Irão não representava uma ameaça efetiva, e apenas um dia depois soube-se que estava a ser alvo de uma investigação prévia por parte do FBI por alegada fuga de informação confidencial.

Joe Kent entrou em rota de colisão com Donald Trump AP

Num podcast da conservadora Megyn Kelly, Kent começou por dizer que não está preocupado. Mas, atendendo à forma como a administração Trump tem procurado processar criminalmente as pessoas que o presidente considera serem inimigas, acabou por admitir alguma apreensão. "Claro que estou preocupado porque todos nós vimos o peso do FBI e do governo a recair sobre indivíduos que se manifestam. Mas sei que que a verdade dos factos está do meu lado." 

Kent tem vindo a dar entrevistas a meios de comunicação conservadores que entraram em desacordo com Trump. Noutro podcast reconheceu que não podia continuar a liderar o Centro Nacional de Contraterrorismo de "consciência tranquila", reiterando que os Estados Unidos iniciaram a guerra "devido à pressão de Israel".

Numa carta de demissão amplamente divulgada, afirmou que o Irão “não representava qualquer ameaça iminente" para os Estados Unidos, considerando ser "evidente" que o país iniciou esta guerra "devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano". Kent já foi, por causa disso, acusado de disseminar estereótipos antissemitas.

Com esta posição pública, o antigo militar tornou-se um inimigo do movimento MAGA - que defendeu outrora acerrimamente -, mas não se arrepende. "Tenho uma missão, que é fazer tudo o que estiver ao meu alcance para impedir esta guerra."

Recorde-se que a Casa Branca classificou como "falsas" e "absurdas" as razões invocadas pelo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para se demitir, acrescentando que Kent era “fraco em termos de segurança”, insistindo que o Irão representava “uma tremenda ameaça” e sugerindo que aqueles que discordavam disso não tinham discernimento.

“Se alguém não acha que [o Irão] é uma ameaça, então não queremos essas pessoas”, garantiu o próprio Donald Trump.

Já a ex-chefe de Kent, Tulsi Gabbard, disse que não conseguia expressar o quanto discordava da carta de demissão de Kent. “Ele disse muitas coisas nessa carta. No final do dia, fornecemos ao presidente as avaliações dos serviços de informação. O presidente é eleito pelo povo americano e toma as suas próprias decisões com base nas informações disponíveis."

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