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Cuba: EUA anteveem uma mudança "em câmara lenta" do Governo de Havana

Lusa 19 de março de 2026 às 16:39

Estes comentários surgem apenas um dia depois do Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, ter criticado Washington por ameaçar "quase diariamente derrubar" o Governo da ilha e pretender "apropriar-se do país".

O secretário do Tesouro norte-americano disse esta quinta-feira que antevê uma mudança de Governo "em câmara lenta" em Cuba, num momento em que Washington ameaça tomar a ilha caribenha enquanto lhe aplica um embargo petrolífero.

Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano AP

"Com [o ex-presidente venezuelano Nicolás] Maduro fora da Venezuela, parece que poderá haver uma mudança de regime em câmara lenta em Cuba", afirmou Scott Bessent numa entrevista ao canal Fox Business.

Os comentários de Bessent surgem apenas um dia depois do Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, ter criticado Washington por ameaçar "quase diariamente derrubar" o Governo da ilha e pretender "apropriar-se do país".

Também na quarta-feira, a Casa Branca (presidência norte-americana) e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, rejeitaram informações publicadas pelo jornal The New York Times, segundo as quais o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, procura a saída do líder cubano, Miguel Díaz-Canel, sem exigir uma mudança de regime, como parte das suas negociações com Havana.

Trump afirmou no início da semana que seria "uma honra" tomar Cuba e já tinha ameaçado no passado proceder a uma "tomada pacífica" da ilha caribenha.

A administração Trump, após capturar Nicolás Maduro, suspendeu a entrega de petróleo venezuelano a Cuba.

Donald Trump também ameaçou aplicar tarifas a todos os países que comercializem petróleo com Cuba, deixando a ilha à beira de uma crise humanitária, uma vez que os serviços do país, incluindo hospitais, têm sido amplamente afetados devido à falta de energia elétrica.

A falta de eletricidade impediu a realização de cerca de 50.000 cirurgias só no mês de fevereiro, alertaram as autoridades cubanas.

Segundo o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, a escassez de combustível está também a atrasar a entrega de ajuda humanitária e a dificultar o acesso aos cuidados de saúde.

O Presidente cubano afirmou que os Estados Unidos utilizam o "pretexto indignante" da "economia enfraquecida" de Cuba, embora a crise da ilha se deva à "guerra económica feroz" a que Washington submeteu o país, que "é aplicada como castigo coletivo contra todo o povo".

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