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China limita deslocações internacionais de profissionais da área da inteligência artificial

Lusa 27 de maio de 2026 às 07:17

Visa proteger tecnologia considerada estratégica.

A China está a impor restrições às viagens ao estrangeiro de profissionais de topo da área da inteligência artificial (IA) em empresas privadas como a Alibaba e a DeepSeek, visando proteger tecnologia considerada estratégica, informou esta quarta-feira a Bloomberg.

Inteligência Artificial traz novos desafios DR

Segundo fontes citadas pela agência de notícias, organismos governamentais começaram a impor restrições a indivíduos envolvidos em trabalho avançado de IA considerados estrategicamente importantes para o país, exigindo autorização prévia das autoridades para viagens internacionais.

As restrições abrangem fundadores de 'start-ups', investigadores e executivos do setor, embora permaneça pouco claro o alcance das medidas, incluindo níveis hierárquicos ou funções específicas visadas.

A China já impõe há anos limitações de viagem a investigadores universitários, cientistas ligados ao setor nuclear e executivos de empresas estatais, mas a extensão destas práticas a empresas privadas é considerada invulgar.

Segundo as mesmas fontes, as autoridades chinesas passaram também a incluir pessoas nas listas de restrições com base na importância estratégica para o país, e não apenas no cargo ou local de trabalho.

As medidas refletem a crescente perceção dos engenheiros de IA como ativos estratégicos para a segunda maior economia do mundo. Grande parte do atual talento chinês na área emergiu após o aparecimento do modelo de IA ChatGPT, sobretudo em gigantes tecnológicas e 'start-ups' privadas.

Contudo, as restrições poderão dificultar o recrutamento e retenção de talento pelas empresas chinesas de IA, além de aumentar preocupações quanto à intervenção do Governo no setor.

O tema ganhou maior visibilidade após Pequim exigir à norte-americana Meta, dona do Facebook e Instagram, o cancelamento da aquisição da Manus, uma empresa de IA fundada na China mas transferida para Singapura, num negócio avaliado em dois mil milhões de dólares (1.718 milhões de euros).

Segundo o jornal britânico Financial Times, as autoridades chinesas impediram dois dos cofundadores da Manus de abandonar o país enquanto investigavam a operação.

Embora as novas restrições não estejam necessariamente ligadas ao caso Manus, fontes citadas pela imprensa afirmam que a prevenção de fugas tecnológicas continua a ser um objetivo central da política chinesa.

Alguns engenheiros de IA do setor privado já eram obrigados a comunicar previamente planos de viagens internacionais às autoridades, embora nem sempre fosse necessária autorização formal antes da deslocação.

Em 2025, o jornal Wall Street Journal noticiou que as autoridades chinesas aconselharam fundadores e investigadores de topo da área da IA a evitarem viagens aos Estados Unidos, embora sem impor uma proibição total.

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