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China acusa EUA de "afastar-se" com novas sanções do consenso nas relações económicas

Lusa 01 de agosto de 2026 às 08:19

Pequim reiterou que "não existe o chamado trabalho forçado em Xinjiang", assim como instou Washington a deixar de "difamar" a região e de "reprimir injustificadamente" as empresas chinesas.

A China acusou este sábado os Estados Unidos de se "afastarem gravemente" do consenso relativo às relações económicas e comerciais, após o alargamento das sanções norte-americanas contra 43 empresas chinesas, sob o argumento de trabalho forçado em Xinjiang.

EUA alargam sanções a 43 empresas chinesas AP Photo/Mark Schiefelbein

O Ministério do Comércio chinês salientou este sábado, num comunicado, que a decisão norte-americana foi anunciada apenas um dia após uma videoconferência realizada entre o vice-primeiro-ministro He Lifeng, principal negociador comercial de Pequim, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o representante do Comércio, Jamieson Greer, na qual ambas as partes mantiveram uma troca de pontos de vista "franca, profunda e construtiva" sobre a estabilidade das relações económicas e comerciais bilaterais.

Segundo o ministério, as restrições norte-americanas "carecem totalmente de fundamento factual" e constituem um ato de "coação económica" ao abrigo da legislação norte-americana, além de prejudicarem os direitos e interesses legítimos das empresas afetadas e de minarem a estabilidade das cadeias de abastecimento globais.

Pequim reiterou que "não existe o chamado trabalho forçado em Xinjiang", assim como instou Washington a deixar de "difamar" a região e de "reprimir injustificadamente" as empresas chinesas, garantindo que adotará as "medidas necessárias" para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos anunciou esta sexta-feira a inclusão de 43 empresas chinesas na lista de entidades sujeitas a restrições de importação ao abrigo da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), elevando assim o número total de empresas na lista para 187, na sua maior ampliação desde a entrada em vigor da legislação em 2021 e a primeira sob a Administração de Donald Trump.

A medida entrará em vigor na próxima segunda-feira, dia 3 de agosto.

A conversa entre He, Bessent e Greer ocorreu num contexto de atritos comerciais persistentes entre as duas potências, apesar da aproximação encenada após a cimeira que os presidentes Xi Jinping e Trump realizaram em maio passado em Pequim, na qual concordaram em ampliar a cooperação e estabilizar a relação bilateral.

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