A peça de Marco Martins, construída a partir da história de uma colónia de férias para filhos de presos políticos, vai estar em cena entre 13 e 16 de janeiro do próximo ano.
Depois das primeiras apresentações completamente esgotadas, em 2024 e 2025, A Colónia vai voltar aos palcos de 13 a 16 de janeiro de 2027, na Culturgest, em Lisboa. As sessões, no Auditório Emílio Rui Vilar, estão agendadas para as 21h (dias 13, 14 e 15) e 19h (dia 16). Os bilhetes custam 16 euros e estão disponíveis através deste link.
Criada no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, A Colónia parte de uma investigação da jornalista Joana Pereira Bastos para o Expresso sobre uma colónia de férias organizada, em 1972, nas Caldas da Rainha, para filhos de presos políticos. Durante duas semanas, 18 crianças entre os 3 e os 14 anos, marcadas pela prisão dos pais, pela clandestinidade e pelo silêncio imposto pela ditadura, encontraram ali uma experiência rara de liberdade: brincar em conjunto, fora do medo, da vigilância e da solidão.
No centro da peça está a história de Manuela Canais Rocha, que viveu em clandestinidade até aos seis anos e que, como outros participantes daquela colónia, sobe ao palco para revisitar a própria memória. Marco Martins junta intérpretes profissionais, não profissionais, crianças e antigos presos políticos para construir um espetáculo que ultrapassa a reconstituição histórica e se aproxima de uma reflexão sobre herança, memória, opressão e transmissão da História entre gerações.
A peça convoca ainda a música de intervenção como elemento fundamental. Com música de B Fachada e João Pimenta Gomes, e participação do Coro Infantil e Juvenil Lisboa Cantat, A Colónia recupera também o lugar das canções proibidas num período em que cantar funcionava como propósito de resistência.
Depois da estreia na Culturgest, em dezembro de 2024, A Colónia passou também pelo Teatro Nacional São João, no Porto, e regressou a Lisboa em 2025. O espetáculo foi distinguido, em setembro de 2025, com o Globo de Ouro de Melhor Espetáculo na categoria de Teatro, na 29.ª Gala dos Globos de Ouro da SIC.
Mais de meio século depois daquela colónia de férias, Marco Martins volta a colocar em palco uma pergunta que atravessa o espetáculo: como se contam, e como se herdam, as histórias de quem cresceu à margem da infância? A resposta passa por documentos, testemunhos, canções, corpos presentes e uma memória que, em A Colónia, deixa de ser arquivo para voltar a ser experiência partilhada.
Sobre a peça, Marco Martins dizia em 2025, em entrevista à SÁBADO: "Fiz uma adaptação para cinema muito diferente da peça, uma adaptação absolutamente ficcional. O filme passa-se em 1972 e é protagonizado por crianças, não tem a dimensão documental que estava na peça. Em princípio, o espetáculo [teatral] vai também continuar a ter a sua digressão nacional. Ainda não temos datas confirmadas mas vamos continuar com a peça, espero. Embora seja uma peça de uma dimensão muito grande e acabe por haver poucos palcos em Portugal que a comportem - e poucos orçamentos de teatro que comportem uma peça daquela escala."