De acordo com a dirigente do sindicato dos têxteis do Sul, Mónica Antunes, a delegação foi recebida pela assessora para as acções sociais, Maria João Ruela, e a consultora para assuntos de Trabalho, Ana Paula Bernardo.
"O que pedimos é que o senhor presidente tente diante do Governo que este processo seja o mais agilizado possível e que futuramente que sirva para outras empresas que estão na mesma situação do que nós. Pedir para agir, intervir e agir", disse em declarações à Lusa no final do encontro.
O sindicato fará ainda durante a tarde um plenário para decidir novas formas de luta e acção.
As trabalhadoras da fábrica da antiga Triumph têm estado desde o dia 5 de Janeiro em vigília à porta da empresa, depois de terem tomado conhecimento de que a administração tinha iniciado um processo de insolvência.
Na quinta-feira, as trabalhadoras estiveram em manifestação à porta da Presidência do Conselho de Ministros, onde entregaram uma peça de lingerie dirigida ao ministro da Economia como protesto contra o encerramento da fábrica em Loures, apelando ao Governo para intervir no processo.
Entretanto, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, afirmou hoje que o Governo continua a trabalhar para assegurar uma alternativa de investimento para a antiga fábrica da Triumph.
"O ideal é que seja possível encontrar uma alternativa de investimento. O Governo continua a trabalhar no sentido de encontrar essa possibilidade", disse Vieira da Silva, que falava aos jornalistas após a cerimónia de entrega do prémio cooperação e solidariedade António Sérgio, que decorreu na antiga Igreja de São Francisco, em Coimbra.
Caso tal seja impossível, explicou, "serão desencadeados todos os mecanismos para que o apoio social àquelas pessoas e àquelas famílias seja rápido e eficaz".
"Infelizmente, mesmo num quadro de criação de emprego tão forte como aquele que estamos a viver, existem empresas que apresentam dificuldades e que, por vezes, não conseguem manter os seus postos de trabalho", referiu Vieira da Silva.
A 5 de Janeiro, depois de tomarem conhecimento de que a administração tinha iniciado um processo de insolvência, os trabalhadores começaram uma vigília à porta das instalações para impedir a saída de material.
Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros de quinta-feira, a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, foi questionada sobre este protesto e a situação da fábrica da antiga Triumph, tendo começado por assegurar que "este tema não foi discutido" na reunião do executivo, mas que "é uma situação que o Governo está a acompanhar não desde há uma semana a esta parte, mas já há bastante tempo".
Já na terça-feira de manhã, em audição parlamentar, o ministro da Economia disse esperar que se encontre uma "solução" para a Têxtil Gramax, admitindo a existência de interessados na fábrica, mas caso não seja possível "que pelo menos se acautele os direitos dos trabalhadores".
Há quase um ano, em 4 de Janeiro de 2017, Manuel Caldeira Cabral congratulou-se então com o facto da antiga fábrica de roupa interior da Triumph continuar a laborar em Portugal e manter os cerca de 500 postos de trabalho, durante uma visita à fábrica na qual foi informado pela actual administração da TGI do plano de negócios, que previa a "diversificação do portefólio de produção" assim como a "expansão a novos mercados de exportação".
A fábrica da antiga Triumph (de roupa interior feminina), sediada na freguesia de Sacavém, concelho de Loures, foi adquirida no início de 2017 pela TGI-Gramax e emprega actualmente 463 trabalhadores.