O gestor da felicidade nas empresas

Ana Catarina André 21 de setembro de 2017

Organiza almoços semanais, compra presentes personalizados, faz sorteios de bilhetes para jogos de futebol e trata do acolhimento de funcionários estrangeiros. Fábio Pina é responsável pelo bem-estar de mais de 400 trabalhadores

Preferias uma vida inteira com amor, mas sem sexo, ou uma vida em que pudesses fazer sexo, sem nunca amar ninguém? O dilema, inserido no questionário da Aubay – consultora de tecnologia e integração de sistemas de informação –, a que os colaboradores responderam para escolher o almoço semanal da equipa, faz parte da estratégia de Fábio Pina "para criar bom ambiente na empresa". A questão foi tema de conversa à refeição. "Todas as semanas lanço um dilema diferente. Depois anuncio a resposta vencedora. Neste caso, foi renhido: 51% optou pela hipótese amar, sem sexo", diz à SÁBADO o marketeer de 30 anos, que em Junho foi contratado pela multinacional como happiness manager (gestor de felicidade). O cargo é inédito na Aubay – em Portugal só a Sodexo, empresa de cartões de refeição, criou uma posição semelhante (ver caixa). "O Rui Miranda, business unite manager da Aubay, queria aproximar as pessoas da empresa. Conhecia-me da associação de estudantes do Politécnico de Setúbal, onde estudámos. Sabia que eu era dinâmico e referenciou-me para a entrevista", conta.



Hoje, um dos seus objectivos é reter talentos na Aubay – funcionários mais felizes são mais produtivos, considera.
Ao contrário do que acontece em Portugal, no estrangeiro a função é mais comum. A Google terá sido uma das pioneiras, há mais de 10 anos, mas não se sabe quantas empresas terão ao certo gestores de felicidade.

– O que é um happiness manager?
– As minhas tarefas são uma mistura entre recursos humanos e comunicação. Neste momento, a empresa está a recrutar no estrangeiro. Esta semana chegaram duas pessoas do Brasil. Na terça-feira de manhã, fui buscá-los ao aeroporto, apresentei -lhes a empresa, levei-os ao alojamento, conheci as pessoas que os vão receber. Acompanhei-os na assinatura dos contratos e apresentei -os a toda a gente. Depois, enviei -lhes a newsletter da empresa para terem noção do que se passa e do que fazemos além da actividade profissional. À tarde, enviei um email a todos os colaboradores para saber como estão, mandei-lhes umas piadas e lancei dois concursos para que as pessoas se sintam acarinhadas.

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