Análise do Financial Times demonstra outros ganhos de Christine Lagarde além dos divulgados pela autoridade monetária. Diferença coloca líder do BCE a receber quatro vezes mais do que o seu homólogo nos EUA.
A remuneração total da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, é superior em mais de 50% ao seu salário base divulgado, segundo uma análise do Financial Times (FT), publicada nesta sexta-feira, 2 de janeiro.
Christine Lagarde, presidente do BCERonald Wittek/EPA
A líder da autoridade monetária europeia ganhou um total de 726.000 euros em 2024, segundo os cálculos do FT, cerca de 56% acima do salário base de 466.000 euros divulgado pelo BCE no seu relatório anual.
Lagarde ganha ainda um valor estimado de 125.000 euros pelo seu cargo como um dos 18 membros do conselho de administração do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa) e recebe um valor estimado de 135.000 euros em benefícios complementares relacionados com habitação e outros assuntos, segundo a análise do FT.
O relatório anual do BCE não faz referência nem ao pagamento pelo cargo no BIS, nem apresenta uma divulgação individual dos benefícios complementares dos membros da Comissão Executiva.
Isto significa que Lagarde ganha quase quatro vezes mais do que o presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, cujo salário é definido por lei federal norte-americana e está atualmente limitado a 203.000 dólares (172.720 euros).
Devido à falta de dados detalhados e consolidados, os cálculos do FT baseiam-se nos relatórios anuais tanto do BCE como do BIS, bem como num documento técnico que define os “termos e condições” da remuneração dos altos responsáveis do BCE. A estimativa não inclui as contribuições do BCE para a pensão de Lagarde nem o custo do seu plano de saúde e seguros, devido à falta de dados disponíveis.
O FT partilhou detalhadamente a metodologia, as pressuposições e os resultados dos seus cálculos com o BCE. Este recusou comentar a análise, mas afirmou, em comunicado, que o salário da presidente foi definido por uma comissão de remunerações e pelo Conselho do BCE "no início do BCE", fundado em 1998. “A única alteração ao salário desde então, para todos os presidentes, foi o ajustamento salarial anual que se aplica a todos os funcionários do BCE”, afirmou.
Este tema levou, por exemplo, Fabio De Masi, eurodeputado e presidente do partido populista de esquerda alemão BSW, a instar o BCE a adotar um padrão semelhante ao aplicável às empresas cotadas, que estão obrigadas a fornecer uma "imagem completa e fiável da remuneração” de cada um dos seus administradores.
“A presidente do BCE e a funcionária mais bem paga da UE deveriam representar o padrão-ouro de responsabilização”, afirmou Fabio De Masi. É que, por comparação, a remuneração base da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é 21% inferior à de Lagarde, escreve o jornal.
Já um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2004, citado pela Bloomberg, sobre governação dos bancos centrais concluiu que um alto responsável de um banco central deve ser pago a níveis comparáveis aos do setor privado e protegido contra cortes salariais durante o seu mandato, “para evitar influências indevidas”.
Lagarde ganha mais de 50% do que o divulgado pelo BCE
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