Apesar do recuo na remuneração das poupanças, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares aumentou em 1.037 milhões de euros no início do ano.
Os juros a que a banca remunera as poupanças das famílias voltaram a cair no arranque do ano. A taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares diminuiu 0,02 pontos percentuais, passando de 1,36%, em dezembro, para 1,34% em janeiro, segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal.
banco, agência, crédito, depositosMiguel Baltazar
A tendência de quebra na remuneração das poupanças tem acompanhado a descida das taxas de juro de referência do Banco Central Europeu (BCE). Para travar a inflação, a autoridade liderada por Christine Lagarde sobe as taxas para estimular a poupança e desincentivar o crédito, abrandando assim o consumo. Foi o que aconteceu após a pandemia. Mas em junho de 2024 decidiu ser tempo de aliviar o aperto monetário, tendo descido os juros até um nível em que não estimula nem restringe a economia (nos 2%) ao longo do ano seguinte.
Desde junho de 2025 que os juros do BCE estão em pausa, fazendo desacelerar a tendência de corte na remuneração das poupanças das famílias em Portugal. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares caiu sucessivamente. Depois disso, manteve-se inalterada no mês seguinte e, em outubro, subiu pela primeira vez. Mas voltou a recuar em dezembro e agora novamente em janeiro.
Nos novos depósitos com prazo até um ano - que representaram 96% do total de novos depósitos efetuados por particulares em janeiro -, a taxa de juro média também recuou 0,02 pontos percentuais, para 1,35%, no primeiro mês do ano. Em sentido contrário, na Zona Euro, a taxa de juro média dos novos depósitos aumentou 0,01 pontos percentuais, para 1,82% pelo que Portugal manteve-se como a quarta taxa mais baixa da região.
Apesar disso, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares aumentou em 1.037 milhões de euros em janeiro, totalizando 11.827 milhões de euros.
No caso das empresas, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo diminuiu de 1,74%, em dezembro, para 1,69% em janeiro. O montante destas novas operações de depósitos totalizou 10.027 milhões de euros, menos 46 milhões do que em dezembro, sendo que os depósitos a prazo até um ano representaram 99,4% dos novos depósitos a prazo de empresas.
Se as políticas do BCE
penalizam as remunerações das poupanças, têm, por outro lado, um efeito de
alívio para quem tem empréstimos. A taxa de juro média das novas operações de
crédito à habitação passou de 2,85%, em dezembro, para 2,83% em janeiro, sendo
que também neste caso Portugal tem quarta taxa de juro média mais baixa da Zona
Euro. Na região, houve, contudo, um aumento de 0,06 pontos percentuais, para
3,36%, nas novas operações.
A nível nacional, a
diminuição foi impulsionada pelas renegociações, cujo juro diminuiu 0,04 pontos percentuais, para 2,81%. Olhando apenas os novos contratos, a taxa de juro média manteve-se em 2,84%.
Já considerando só os empréstimos concedidos a particulares para construção e aquisição de habitação própria permanente, em janeiro, 77% foram contratados a taxa mista, ou seja, com uma taxa de juro fixa num período inicial, seguida de taxa variável. A taxa de juro média das novas operações a taxa mista diminuiu 0,03 pp, para 2,72%. A taxa de juro média das novas operações a taxa fixa decresceu 0,05 pp, para 3,55%, permanecendo acima da taxa variável, que diminuiu 0,07 pp, para 2,79%.
77%MISTA
Dos empréstimos a particulares para construção e aquisição de habitação própria permanente, em janeiro, 77% foram contratados a taxa mista.
De forma mais alargada, as novas
operações de empréstimos aos particulares totalizaram 3.081 milhões de euros,
menos 450 milhões do que em dezembro. Este montante inclui 2.588 milhões de
euros em novos contratos (menos 499 milhões de euros do que em dezembro) e renegociações,
que ascenderam a 493 milhões de euros, mais 49 milhões de euros do que no mês
anterior.
Nos empréstimos ao
consumo, a taxa de juro média de novas operações atingiu 9,15%, mais 0,53 pontos
percentuais do que em dezembro. “O aumento desta taxa de juro, habitual em
janeiro, decorre da atualização dos preçários dos bancos e está em linha com o
observado em janeiro de 2025 (aumento de 0,56 pp, para 9,12%)”, explica o Banco
de Portugal. Nos empréstimos para outros fins, a taxa de juro média aumentou
0,11 pp, para 3,54%.
9,15%CONSUMO
Com a atualização dos preçários dos bancos, a taxa de juro média de novas operações de crédito ao consumo subiu para 9,15% em janeiro.
No segmento
empresarial, o montante de novas operações de empréstimos concedidos em janeiro
totalizou 1.975 milhões de euros, menos 1.313 milhões do que em dezembro. Esta
redução resultou da diminuição do montante tanto de novos contratos (-1.241
milhões de euros) como de contratos renegociados (-72 milhões de euros).
A taxa de juro média
das novas operações de empréstimos às empresas aumentou 0,05 pp, passando de
3,65% para 3,70% em janeiro. Este aumento refletiu sobretudo a variação da taxa
de juro média dos empréstimos até 1 milhão de euros, que subiu 0,13 pp, para
3,90%. Nos empréstimos acima de 1 milhão de euros, a taxa média diminuiu 0,05
pp, para 3,49%.
(Notícia atualizada às 11:45 horas)
Juro dos novos depósitos cai para 1,34% em janeiro
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