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Instagram passa a poder ler todas as mensagens privadas: o que está em causa

Meta acabou com a encriptação ponto a ponto, que até então podia ser ativada pelos utilizadores de modo a garantir maior privacidade.

O Instagram desativou o mecanismo que permitia aos utilizadores da rede social enviarem mensagens com um elevado grau de privacidade. Desde ontem, sexta-feira, a Meta pode aceder a todas as mensagens diretas, vídeos, imagens e mensagens de voz enviadas pelos muitos milhões de utilizadores que tem em todo o mundo.

Instagram 'perde' privacidade
Instagram 'perde' privacidade AP

Na prática o que a empresa fez foi remover a chamada encriptação ponto a ponto, um mecanismo que garantia privacidade na troca de mensagens online - é usado, por exemplo, pelo Google -, que precisa de ser ativada pelo utilizador mas que, segundo a Meta, poucos o faziam. 

Não tardaram a surgir organizações de defesa dos direitos digitais e da privacidade a criticar a decisão da empresa, que também é proprietária do Facebook e do WhatsApp. "Esta mudança de rumo vai expor milhões de utilizadores a riscos sérios e concretos", alerta a Global Encryption Coalition, citada pelo jornal El Diário, cujos membros incluem a Mozilla Foundation, o Center for Democracy and Technology e a Internet Society.

O problema é que, se por um lado a encriptação ponto a ponto permite privacidade, por outro há quem recorde que este sistema possibilita a disseminação de conteúdos criminosos, sem que as autoridades possam intervir. A Sociedade Nacional de Proteção de Crianças Contra Crueldade (NSPCC, em inglês), uma das principais organizações sem fins lucrativos do Reino Unido, alerta há anos para o facto de encriptação de mensagens poder expor crianças a riscos muito elevados.

O próprio Mark Zuckerberg, CEO da Meta, chegou a defender em 2023 esta proteção. "Acredito que o futuro da comunicação caminhará cada vez mais para serviços privados, em que as pessoas possam ter a certeza de que o que dizem umas às outras permanece seguro e que as suas mensagens e conteúdo não serão armazenados indefinidamente. Este é o futuro que espero que possamos ajudar a construir." Já em 2019 a Meta garantia que "o futuro é privado".  

Inteligência Artificial

A decisão coincide com a implementação de uma lei nos Estados Unidos que pressiona as empresas a eliminarem este protocolo de segurança. E uma das preocupações surge com o facto de a Meta poder estar a 'treinar' a sua Inteligência Artificial. Ou seja, através das mensagens, imagens e vídeos trocados um algoritmo aprende tudo sobre cada utilizador, criando depois abertura para anunciantes e até eventuais casos de manipulação de opinião, como se suspeita que tenha acontecido, por exemplo, nas eleições norte-americanas.

"As plataformas de redes sociais monetizam as nossas comunicações, publicações, gostos e mensagens para direcionar publicidade segmentada", afirmou a  a especialista em cibersegurança Victoria Baines à BBC. "E, cada vez mais, empresas como a Meta estão a concentrar-se no treino de modelos de Inteligência Artificial [IA], para os quais os dados de mensagens podem ser extremamente valiosos."

Quem usa?

Este tipo de encriptação de conteúdos é utilizado no Signal, no WhatsApp, no Facebook Messenger, no iMessage da Apple e no Google Messages. O Telegram oferece como opção, ao passo que o X utiliza um sistema semelhante para mensagens diretas, que muitos especialistas dizem, no entanto, não ser completamente seguro.

O Snapchat usa a encriptação ponto a ponto para fotos e vídeos enviados por mensagens diretas e planeia utilizá-la também para mensagens de texto. Já o Discord conta recorrer a este mecanismo de segurança para chamadas de voz e vídeo.

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