A queda da Ongoing e da família Rocha dos Santos

Nuno Vasconcellos deixou de arrendar casa no Estoril. A ex-mulher, Xandinha, pôs a dela à venda. E à venda está, também, a sede do grupo que no último ano e meio perdeu 70 por cento dos funcionários

A Quinta Patiño continua a ser o refúgio de Nuno Vasconcellos quando está em Portugal. Mas isso é cada vez mais raro. Desde que assumiu a liderança de todos os negócios da Ongoing, em Março, o gestor de 50 anos passa a maior parte do tempo no Brasil – 20 dias por mês, pelo menos. Nos sete dias que restam, vem a Lisboa – desloca-se num Mercedes da empresa, fica no luxuoso condomínio do Estoril, agora na casa da mãe, Isabel Rocha dos Santos, e marca viagens pela Europa – Londres, sobretudo. Nas férias, continua a ir até à Comporta, e não escapa aos comentários – que o irritam – de quem o encontra na praia e pensa que já faliu. "Nuno, estás bem? Vi as notícias..."

Já teve outras duas moradas na Quinta Patiño: a casa da ex-mulher, Alexandra Mascarenhas (que a tem à venda numa imobiliária, por 5 milhões de euros), e, depois de se ter separado, uma outra, arrendada. "Deixou de arrendar quando passou a viver a maior parte do tempo no Brasil", diz um amigo. O Brasil não é só a nova casa do empresário. É também a "nova casa" da Ongoing. Os principais investimentos têm-se concentrado neste país. É lá que funciona, por exemplo, a RealTime, a principal exportadora de tecnologia do grupo, que em 2012 o The Huffington Post colocou no topo da lista das startups mais valiosas (avaliou-a em 100 mil milhões de dólares, 91 mil milhões de euros), acima do Twitter, Airbnb e Spotify.

Do outro lado do Atlântico, Vasconcellos tem três escritórios: o de São Paulo, onde trabalha três dias por semana e onde têm sede o portal de media iG (que encolheu de 450 para 150 pessoas), a Ejesa (dona do Brasil Econômico, que deixou de ser impresso o mês passado por problemas financeiros e passou a existir apenas online) e as tecnológicas; o do Rio de Janeiro, na Barra, a partir do qual acompanha sobretudo a imprensa e a Oi; e uma estrutura mais pequena, em Brasília – quatro salas.

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