A era dos nano e micro influencers

A era dos nano e micro influencers
Sónia Bento 18 de abril de 2021

Não têm milhares de seguidores e são influenciadores. As marcas estão a apostar mais neles do que nas celebridades.

Cremes depilatórios, bebidas de café, cervejas, detergentes para a loiça ou apostas desportivas foram algumas das coisas que Telmo Vieira já promoveu nas suas redes sociais. Inscreveu-se na Youzz há cerca de quatro anos e desde então perdeu a conta às campanhas de marcas que fez - sem nunca ser remunerado. A única contrapartida é usufruir dos produtos. "Gosto de experimentar coisas novas. Publico fotos nas minhas redes e alguns dos meus amigos experimentam se eu garantir que vale a pena", conta à SÁBADO o técnico de informática, de 32 anos, que tem cerca de 1.600 pessoas que o seguem no Facebook e 940 no Instagram.

Mas como é que se pode levar alguém sem ser uma celebridade com muitos de seguidores? O processo é simples: feito a inscrição no Youzz - uma comunidade, como o chamam - enviado um e-mail, alinhado com um alvo, sobre uma campanha promovida, sem se saber qual é o produto. Se a pessoa disser que está interessada, e para solicitar, preenche um questionário de qualificação com várias perguntas. Só depois é que recebe um convite para experimentar. Se aceitar, é enviado para sua casa o kit de produtos para os desafios propostos - que consistem em fazer e fotos, por norma três, e publicá-los no Facebook, Instagram ou TikTok. Cada influenciador tem um sistema de pontos, que são considerados consoante o cumprimento dos desafios. Quantos mais pontos, mais campanhas.

Uma esponja, um pano e dois frascos de um produto para lavar a loiça - foi este o kit enviado a Débora Prado. A funcionária de uma loja do aeroporto de Lisboa e fotógrafa freelancer, de 30 anos, produziu então um vídeo de 55 segundos em que o namorado aparece a esfregar tachos e pratos, com o hashtag #pub. Em 15 dias teve cerca de 70 "gostos" e 20 comentários. Parece ser o suficiente. Débora está inscrita na Youzz há pouco mais de um ano e já alinhou noutras campanhas - a de um champô seco e a de uma bebida de café. Agora, diz que está à espera do kit de uma marca de produtos dentífricos."Temos duas semanas para realizar os desafios, dão-nos algumas indicações, mas não há exigências. No do detergente só pediram que não mostrássemos outras marcas e que usássemos uma flor nas fotos ou nos vídeos", conta Débora, que é seguida por 1. 150 pessoas no Facebook e por quase 11 mil no Instagram. E acrescenta: "Este tipo de publicidade é mais vantajoso para as marcas do que para nós, que não somos pagos, apenas recebemos os produtos. Mas o meu objetivo é chegar a mais marcas e ser patrocinada."

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