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Líder da Starbucks na Coreia do Sul pede desculpas por campanha publicitária que evoca massacre de 1980

Débora Calheiros Lourenço 26 de maio de 2026 às 12:35

A marca anunciou o “dia do tanque” na mesma data que marca uma manifestação pela democracia na cidade de Gwangiu, 1980, brutalmente reprimida pelo exército com tanques e helicópteros.

Chung Yong-jin, empresário sul coreano responsável pela Starbucks no país, emitiu esta terça-feira um segundo pedido de desculpas nas últimas duas semanas depois de a empresa ser alvo de críticas por ter utilizado uma referência às vítimas da sangrenta repressão militar contra manifestantes pró-democracia no país, em 1980.  

AP Photo/Lee Jin-man

Chung, presidente do Grupo Shinsegae, que detém uma participação de 67,5% na Starbucks Coreia, curvou-se três vezes durante uma declaração na televisão e pediu perdão às famílias dos ativistas pró-democracia assassinados pela ditadura militar do país, assim como a todos os coreanos.  

A campanha da Starbucks tinha como objetivo promover um copo térmico grande, que apelidava de “tanque”, declarando o dia 18 de maio como o “dia do tanque”. O problema é que esta é a data que marca o aniversário de uma manifestação pela democracia na cidade de Gwangiu, no sul do país, que foi brutalmente reprimida pelo exército com tanques e helicópteros, resultando em centenas de mortos e feridos.  

A indignação aumentou ainda mais depois de a campanha ter utilizado o slogan “Bata na mesa!”, que foi visto como uma referência a uma infame declaração policial de 1987 que tentou encobrir a morte por tortura do ativista estudantil Park Jong-chol. Na altura as autoridades afirmaram que Park morreu repentinamente depois de os investigadores “baterem na mesa com um estrondo”.  

Poucas horas depois de o anúncio começar a circular, a Shinsegae retirou-o e demitiu o diretor executivo da Starbucks Coreia. A polícia também abriu uma investigação devido às queixas de familiares das vítimas do massacre de Gwangiu. “Levo muito a sério o fato de muitas pessoas terem sentido uma dor e raiva profundas devido à campanha de marketing inadequada da Starbucks Coreia”, referiu Chung Yong-jin esta terça-feira.  

O empresário já tinha divulgado um pedido de desculpas a 19 de maio, num comunicado em que admitia que o anúncio “causou profunda dor às vítimas e às famílias do Movimento de Democratização”.  

A indignação desencadeou apelos públicos por boicotes à marca, tendo o ministro da Administração Interna e Segurança, Yoon Ho-jung já afirmado que os produtos da Starbucks não vão ser mais usados em eventos governamentais, lamentando o “comportamento anti-histórico” da Starbucks. Até o presidente sul coreano falou sobre o incidente e afirmou, nas redes sociais, que a campanha demonstrava “um comportamento desumano e vergonhoso por parte de aproveitadores que negam os valores da comunidade sul-coreana, os direitos humanos básicos e a democracia”.  

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