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Portugal-RD Congo: avaliação alternativa dos jogadores

Marco Alves 17 de junho de 2026 às 21:24

Um empate que em princípio vai acabar com as idas à praia e os posts na piscina.

Portugal começou o Mundial de Futebol 2026 com um empate contra a República Democrática do Congo. Estiveram em campo 15 jogadores, e esta é uma avaliação informal (de 1 a 10) da sua prestação.

Diogo Costa – 5

Como diria Rui Santos, mestre do Calcanhar de Aquilo, o guarda-redes da seleção portuguesa fez aquilo que lhe era exigido naquilo que foi um jogo que se adivinhava tranquilo perante aquilo que é uma equipa que pertence àquilo que se pode chamar a segunda divisão do futebol, que veio juntar-se àquilo que é a festa do futebol. Assim morrem golfinhos no Tejo.

Começou o jogo com 1.090.282 seguidores no Instagram e no final tinha 1.095.234. Mais 4.952 seguidores. Disso ninguém fala.

João Cancelo – 6

É um génio de técnica, velocidade e objetividade, mas continua a transmitir ao grupo a sensação de que a qualquer momento pode passar-se da cabeça. Ainda não foi desta.

Foi dos poucos que perceberam que isto é o Mundial. 

Renato Veiga – 3

Com Rúben Dias lesionado, Pepe nas bancadas e uma dupla de centrais com 23 anos de média, ficámos todos com aquela cara que os estudantes de medicina fazem quando veem um parto pela primeira vez. Mas era contra o Congo, e relaxámos. Eles também.

Tomás Araújo – 3

O defesa central titular da Seleção Nacional de futebol de Portugal, uma das candidatas a ganhar o evento desportivo mais importante do Mundo, tem apenas 77 mil seguidores do Instagram. Depois a equipa jogou ao nível das equipas que têm jogadores com apenas 77 mil seguidores no Instagram. É esta a magia do futebol.

Nuno Mendes – 2

Alheado, não achou os colegas de equipa estimulantes.

Vitinha – 5

Aos seis segundos de jogo já estava a pedir a bola para a passar ao Dembélé, ao Kvaratskhelia, ao Doué. Depois acordou.

Cumpriu à risca as ordens de Martinez: não sabemos jogar contra autocarros, desenrasca-te. Não conseguiu e foi substituído, como se a culpa fosse sua. Chama-se a isto gaslighting.

João Neves - 7

Num livro qualquer do Lobo Antunes, uma personagem aparece definida como parecendo um ponto de exclamação. João Neves é uma destas metáforas perfeitas, porque ele é em si perfeito, sem causar inveja nos outros. Como dizia alguém ontem num jantar,  “ah, é tão fofinho”.

Não era um jogo para ele, mas logo aos seis minutos marcou um golo. Ergueu os braços ao ar, para a mãe. Merece tudo.

Bernardo Silva – 1

Exemplo perfeito da burocracia do futebol moderno, há dez anos que Guardiola nos tenta explicar o que é que Bernardo Silva faz exatamente num jogo de futebol, mas usa sempre termos genéricos como “inteligência”, “espaços”, “movimentação” e “Bernardo”.

De manhã, anunciou que ia para um clube que é um saco de gatos treinado por José Mourinho. À tarde, jogo.

A equipa percebeu que fez a opção errada na carreira e mal lhe passou a bola. Levou amarelo, saiu ao intervalo.

Péssima quarta-feira.

Bruno Fernandes – 3

Depois de ter sido eleito o melhor jogador da Premier League, veio para este Mundial apresentar a candidatura à Bola de Ouro. O mais difícil será convencer António Tadeia, mas uma coisa de cada vez.  

Sabendo deste plano, Martinez deixou-o em campo até ao fim, à espera de qualquer coisa.

Estará a guardar-se para os momentos difíceis (conceito lato).

Pedro Neto – 2

Jogador tipicamente inglês, teve mais uma oportunidade para mostrar o CAE da sua empresa: fazer piscinas. 

Cristiano Ronaldo – 3

É acionista da Medialivre, dona da SÁBADO, patrão de quem escreve.

Vai ter mil golos na carreira e é seguido por mil milhões nas redes sociais. É a pessoa mais conhecida do Mundo e transformou uma simpática equipa de futebol que nunca sequer chegou a uma final do Mundial – às vezes esquecemos isso – numa marca planetária. Tenta aos 41 anos o que o outro já tem, e conta com metade do Mundo ao seu lado, a achar que é a vitória do Bem, a reparação de uma injustiça, um filme que ainda não chegou ao fim. Em suma, a realidade está em suspenso. Talvez seja paralisia do sono, mas é destas histórias que a História é feita, e portanto a discussão se Cristiano Ronaldo deve ou não ser titular é irrelevante, é tão 2022.

Quanto ao jogo, esteve desligado de uma equipa que não consegue gerar caudal ofensivo de qualidade quando está perante adversários que não colaboram.

Rafael Leão – 1

Antigamente havia umas pistolas de água que davam para rodar a ponta. Exemplo: pistola apontada a norte, água a sair a oeste. Um ângulo reto em movimento, meio de plástico e meio de água, da ponta dos dedos até à cara de alguém. Empolgante. Imprevisível. Inconsequente. A gente chamava-lhes bisnagas vira-bicos. Divertido.

Francisco Conceição - 2

Entrou para fazer pegas de caras. Desta vez não resultou. Sem medo de errar, é dos poucos com centelha.

Nélson Semedo - 2

Entrou para substituir Nuno Mendes, o que é um atestado de competência. Não foi feliz, mas merece ser acarinhado.

Gonçalo Ramos - 1

Não sei se repararam naquele podcast, o Gonçalo Ramos diz “tipo” em todas as frases e adora o Speed. Portanto, estavam à espera de milagres?

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