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"Podemos ir longe, mas não a jogar assim"

Isabel Dantas 18 de junho de 2026 às 12:54

Cantor não gostou do desempenho da equipa frente à RD Congo e aponta o dedo a Roberto Martínez.

Fernando Daniel viu a estreia de Portugal no Mundial com a camisola de Cristiano Ronaldo vestida, sempre muito nervoso,  acabando o jogo com uma valente dor de cabeça. Desiludido com o desempenho da equipa e com o empate , o cantor espera que o grupo mude o mindset para o encontro da próxima terça-feira, frente ao Uzbequistão, até porque não faz sentido uma seleção com o talento de Portugal acabar esta fase com a calculadora na mão.

Está muito dececionado com a estreia de Portugal?

Não há nenhum português que esteja feliz com o que vimos ontem, sinceramente estava à espera de mais no primeiro jogo. Temos uma Seleção cheia de talento, grande parte dos nossos jogadores são o ex-libris nas suas equipas, mas na prática parece que algo não fluiu como devia...

A RD Congo foi mais forte do que se esperava?

A forma como a RD Congo entrou no jogo já era expectável, com linhas baixas, à espera de uma oportunidade. Começámos bem, mas não percebi por que razão colocámos gelo no jogo. Os homens de ataque com uma posição muito estática... Podíamos ter feito muito melhor. O Bernardo Silva entrou mal, se a questão era a estatura, o Francisco Conceição deu mais. Na minha opinião foi o jogador mais vivo. Fiquei desiludido. Temos bons jogadores no nosso meio-campo mas levámos demasiadas bolas pela alas. E as substituições, além da do Bernardo, foram todas tardias, o jogo pedia-as mais cedo. A RD Congo foi ganhando ânimo e veio para cima de nós. O golo deles é uma infelicidade de marcação, de comunicação, e gela uma segunda parte que podia ter sido completamente diferente.

A equipa teve o intervalo para se recompor.

Isto tem muito a ver com o treinador. Ainda hoje li declarações do selecionador, disse "nós não precisamos de ganhar o Mundial, precisamos é de jogar bem". Eu se fosse jogador isto irritava-me, se não é para ganhar, o que estamos ali a fazer? É uma frase que vai ecoar na cabeça dos jogadores. Há muitas coisas que estão a faltar, a forma como o treinador aborda a situação e a gestão que faz da equipa. A meu ver não é uma gestão correta do talento que temos e as substituições falharam neste jogo.

E agora? Como será a reação frente ao Uzbequistão?

Eu continuo com a mesma confiança, temos uma das melhores seleções do mundo. Somos a Seleção com mais potencial neste  campeonato, temos jogadores incríveis, somos candidatos e temos de ter isso em consideração. Há que ter em mente que podemos vencer, já estivemos perto noutros tempos mas não conseguimos. A questão com o Uzbequistão será a mesma deste jogo com a RD Congo, não é uma das seleções mais fortes, mas revela uma força interior muito grande para fazer frente a equipas como a nossa. Ou mudamos o nosso mindset e deixamos de andar a fazer passes para o lado e para trás e começamos a intimidar o adversário, ou vamos apanhar outra surpresa. 

Não estarão os jogadores sujeitos a uma grande pressão pelo facto de quase se "exigir" à equipa a conquista deste Mundial?

A pressão existe em todas as áreas, sempre que nos colocam como os melhores. Mas estamos perante uma equipa que é muito talentosa. Na Seleção o selecionador tem um trabalho mais fácil do que um treinador normal, que passa por tirar o melhor destes fantásticos jogadores. Ninguém tem de ter um lugar cativo - entre Messi e CR7 sou team Cristiano Ronaldo, sempre. No entanto, esse exemplo começa pela própria forma como o Ronaldo encara isto, "vamos com calma, vamos jogo a jogo". Quando o Cristiano passa essa confiança, ele acredita que a equipa é capaz e os outros têm de olhar para ele como um exemplo. Já em campo, na minha opinião, são todos iguais.

Vamos para o último jogo da fase de grupos a fazer contas?

Depois do Euro 2016 acredito em tudo. Fomos os melhores terceiros e vencemos. É verdade que apanhámos equipas mais acessíveis e no Mundial nem sempre é assim. O continente africano tem seleções muito físicas, como vimos no jogo de Marrocos contra o Brasil. O resto do mundo também existe e tem talento. Temos um grupo mais ou menos acessível mas também cheio de surpresas. Não podemos estar com uma calculadora na mão, temos de mandar no jogo de início. Temos uma boa equipa, agora, é por as peças no lugar certo.

Não parece ser grande fã de Roberto Martínez.

Não aprecio muito o facto de fazer substituições tardias, a sua forma de ver o jogo... Mas também é importante um treinador que saiba comunicar, que entenda o que tem em mãos, e sinto que ele não tem isso. Falta-lhe um par... de coragem para fazer certas escolhas e certas coisas. Olhar para o potencial da equipa e não só para a história. Não é no Mundial que se faz testes, é na preparação.

Costuma sofrer muito a ver os jogos?

Fiquei com uma dor de cabeça... Estava nervoso, não compreendia tanta passividade, é como se a nossa Seleção estivesse a ganhar por 4-0, a controlar... Num Mundial não podemos descansar, nem com 2-0. Temos Seleção para dar 3 à RD Congo. As outras seleções também veem o que estamos a fazer. Temos de ser a melhor montra possível em todos os jogos e neste caso não fomos. Mas o futebol também é isto. Não vamos martirizar a equipa e o selecionador, há que ter esperança mas também mostrar descontentamento quando existe. Confio quer podemos ir longe, mas não a jogar assim.

Se tivesse de aconselhar uma música aos jogadores para ouvirem os próximos dias, qual seria? 

Há uma que me vem sempre à cabeça, a da Nelly Furtado, no Euro 2004. Não sei se é por ser nostálgica, estivemos quase a ganhar o Europeu, isso pode trazer à equipa algumas lembranças da raça, da fé de jogadores que viveram aquela prova com força e muito querer.

Tem alguma superstição? 

Acho que é importante estar equipado com algum adereço Seleção. A força e a energia são transversais ao Mundo inteiro. Tenho uma camisola autografada pelo Cristiano e vi o jogo com ela.

Vai mudar de adereço para o próximo jogo?

Não, vou manter porque acredito que a camisola não fez a diferença. 

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