Portugal e a UE sem espaço para a energia nuclear (para já)

Portugal e a UE sem espaço para a energia nuclear (para já)
Diogo Barreto 14 de novembro de 2021

É eficaz, mas cara. "Limpa", mas nem todos acreditam que é segura. A energia nuclear esteve em discussão na COP26 e a UE não vai investir num futuro próximo.

Em 1977, Fausto Bordalo Dias compôs uma canção que se viria a tornar uma das mais famosas do seu cancioneiro. "Em Ferrel, lá para Peniche,/ Vão fazer uma central/ Que para alguns é nuclear/ Mas para muitos é mortal", podia ouvir-se em "Rosalinda", uma canção contra a energia nuclear, mais precisamente contra a central de Ferrel. Na altura, centenas de pessoas saíram à rua para protestar contra a energia nuclear em solo nacional. Vivia-se em clima de medo constante de uma guerra nuclear e ainda nem se adivinhava Chernobyl, mas os portugueses diziam que não à nuclear. Quarenta anos depois, a resposta oficial de Portugal continua a ser "não", bem como de outros países. Mas há cada vez mais adeptos desta energia "limpa".

Em Portugal são muitos os cientistas e técnicos que consideram que não se justifica o investimento em energia nuclear, devido ao elevado custo inicial que a mesma tem. Em 2019, Carlos Fiolhais defendia que não fazia sentido investir agora em energia nuclear devido ao pesado investimento necessário. "A tecnologia é sempre cara para quem não a tem. Para Portugal é caríssimo", opinião partilhada pelo antigo secretário de Estado da Ciência e Inovação Pedro Sampaio Nunes, um dos promotores de um projeto que pretendia introduzir a produção de energia nuclear em Portugal em 2006, mas que nunca saiu do papel.

Depois de anos de aperfeiçoamento da tecnologia, a segurança deixou de ser o principal tema na produção de energia nuclear, passando a ser o preço a ocupar o primeiro lugar de preocupações, seguido das soluções para os resíduos nucleares. 

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