Gripe perdeu força este ano, mas isso deverá ser um alerta para o próximo

Gripe perdeu força este ano, mas isso deverá ser um alerta para o próximo
Rita Pereira Carvalho 12 de abril de 2021

Mais vacinas contra a gripe e mais medidas de proteção individual ajudam a explicar a redução do vírus da gripe registado este ano. No entanto, é preciso preparar a próxima época gripal, já que as vacinas podem perder eficácia e a imunidade pode ter também diminuído.

A época gripal ainda não terminou, mas há já algumas conclusões que podem ser apontadas: menos casos de gripe registados e semanas com taxa de incidência de síndrome gripal igual a zero. Estes dois pontos estão, explica o pneumologista Filipe Froes à SÁBADO, relacionados com dois grandes motivos: mais vacinados contra a gripe e mais medidas de proteção individual, como o uso de máscara e distanciamento social. Este último motivo é, no fundo, uma consequência indireta da pandemia de covid-19, que acabou por se revelar também importante para perceber que o uso de máscara trava a circulação de outros vírus. 

A variação do índice de transmissibilidade, ou Rt, do vírus influenza mostra bem a diminuição que tem sido verificada nos boletins de vigilância epidemiológica da gripe. "Habitualmente, o Rt do vírus influenza ronda os 1.2 ou 1.5 e este ano foi reduzido para metade", explicou Filipe Froes, acrescentando que foram quebradas as cadeias de transmissão. 

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) publica semanalmente o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e outros Vírus Respiratórios e, o último relatório, referente ao período de 29 de março a 4 de abril, dá conta de uma taxa de incidência de síndrome gripal de 13,5 por cem mil habitantes. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), dezembro, janeiro e fevereiro são os meses em que é esperado um número mais elevado de casos, mas este ano foi exceção. Por exemplo, logo no início deste ano, entre 4 e 10 de janeiro, a incidência de síndrome gripal foi igual a zero e, no ano passado, o boletim semanal correspondente ao período de 6 a 12 de janeiro registava uma taxa de incidência de 44,64 por cem mil habitantes. 

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