Entrevista: Sir Peter Ratcliffe foi “curioso” e ganhou o Nobel da Medicina

Entrevista: Sir Peter Ratcliffe foi “curioso” e ganhou o Nobel da Medicina
Diogo Camilo 23 de outubro de 2019

O biólogo molecular esteve em Portugal e falou à SÁBADO sobre as rejeições na comunidade científica, como foi convencido a desistir de Química e o Brexit do seu Reino Unido.

Jovens aspirantes a médicos da Nova Medical School encheram o Grande Auditório do Teatro Camões no dia 18 de outubro para ver o Nobel da Medicina e da Fisiologia de 2019. Sir Peter Ratcliffe entrou entre aplausos e não ao som da música que resume a sua odisseia científica, segundo o próprio: You Can’t Always Get What You Want, dos Rolling Stones.

Diz que a base do seu sucesso foi ter sido "curioso" no trabalho que, juntamente com o de Gregg Semenza e Bill Kaelin, acabou por desvendar o mistério de como células se adaptam às constantes mudanças dos níveis de oxigénio. O biólogo molecular e nefrologista participou no iMed Conference, em que descreveu a sua investigação com piadas sobre estradas em França pelo meio.

Resolver o puzzle da investigação era descobrir como o gene da EPO – nome científico da eritropoietina, uma hormona produzida nos rins que controla a produção de células vermelhas do sangue – aumentava a sua concentração em situações de falta de oxigénio (cujo nome científico é hipóxia). Fundamental à vida pela sua função imprescindível na respiração celular - através da mitocôndria -, a importância do oxigénio era conhecida, mas a maneira como as células se adaptavam à sua falta era ainda uma incógnita.

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