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Viver sem saber ler nem escrever

Há quem tenha medo de se perder no metro, quem não consiga fazer compras no supermercado e até compre produtos fora do prazo por incompreensão. Conheça histórias de adultos que estão a aprender hoje o que não conseguiram quando andavam na escola. Porque ser escolarizado não é sinónimo de ser alfabetizado.

Quinta-feira, 19h. Três mesas, colocadas em forma de U, na sala onde durante o dia se sentam crianças e jovens que frequentam o apoio ao estudo, estão prontas para receber as seis alunas da aula de alfabetização da Associação de Residentes do Alto do Lumiar (ARAL), em Lisboa. No dia em que a SÁBADO assistiu à aula, dada pelo jurista Lourenço Roque, voluntário da associação, só compareceram três alunas. Uma das ausentes foi a aluna mais velha, a Dona Carmen, de 92 anos, que só falta à aula quando o elevador do prédio não funciona. Neste dia, o elevador avariado impediu que descesse do segundo andar e caminhasse alguns metros até às instalações da ARAL. Foi vendedora de hortaliças no mercado, sempre soube fazer contas, mas não sabia ler nem escrever e frequenta as aulas de alfabetização da associação há dois anos. A ausência da aluna é comentada no início da aula, assim como o atraso da mais nova, Daniela, 35 anos, que mora em Santo António dos Cavaleiros e vem de autocarro para o Lumiar.

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