"Marrões": como mudaram os novos génios da turma

Raquel Lito e Susana Nascimento 08 de janeiro de 2017

O melhor da turma já não tem óculos fundo de garrafa, nem é enfezado. Professores do ensino público e privado revelam como é o crânio moderno

O estereótipo do marrão de outros tempos (havia pelo menos um por turma) tinha óculos de fundo de garrafa e roupa do baú da avó, sentava-se na primeira fila, memorizava a matéria e debitava-a nos testes. E o marrão moderno? É diferente, na verdade nem é perceptível se estuda assim tanto porque é cool e tem outros interesses além dos livros (da escola, pelo menos). Veste-se bem, tem um rendimento ainda melhor e faz sucesso entre os colegas.

O aluno prodígio de hoje continua ávido de conhecimento, embora não seja facilmente identificável, como analisam vários professores do ensino básico e secundário, de escolas públicas e privadas, contactados pela SÁBADO. Num ou noutro caso, ainda são alvos de bullying ou vítimas de isolamento – mas são a minoria.

Quem é melhor? Ele ou ela?
Se, regra geral, as diferenças de imagem entre os melhores e os medianos estão esbatidas, o mesmo não acontece no que toca a género. "As raparigas têm melhores notas", avalia Hugo Quinta, director pedagógico do colégio Manuel Bernardes, Lisboa. Porque são "mais maduras", justifica a professora aposentada de Geografia, Maria Reina. Contudo, a percepção dos colegas, quando chegam à universidade, pode ser a oposta. Ou seja, quando um aluno e uma aluna excepcionais têm os mesmos resultados, ele é aclamado pelos pares e ela passa para segundo plano. As conclusões de um inquérito a 1.700 alunos de cursos de Biologia, feito pelo antropólogo Dan Grunspan, da Universidade de Washington, e recentemente publicadas no jornal The Washington Post, são claras: a tendência é para se dar mais crédito aos colegas do sexo masculino e achar-se que estes têm melhor domínio sobre as matérias.

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