Bonecos com formatos de frutas e vegetais, criados por inteligência artificial, são os protagonistas das "Frutinovelas", que se tornaram virais nas redes sociais. São coloridos e aparentemente inócuos, mas normalizam comportamentos tóxicos.
Laranja convida a melhor amiga Limão a tomar banho em sua casa, que se cruza no duche com Banana Negra, marido de Laranja. Mais tarde, enquanto corre num parque, Limão admite a si própria que não para de pensar em Banana Negra, que, do nada, aparece e lhe propõem irem “praticar exercícios de cardio para outro sítio”. Iniciam um romance e ela engravida. A mulher, Laranja, também espera um filho e coincidem ambas na maternidade. O conflito rebenta quando dão à luz duas bananas negras. O drama continua porque Banana Negra anuncia a Limão que não vai trocar o seu casamento por uma aventura e propõe entregar-lhe a criança e "desaparecer" das suas vidas a troco de um cheque de 1 milhão de dólares. Limão jura vingança. É assim o primeiro episódio do FrutyStory, página criada no Instagram, a 28 de março, pelo colombiano, William Rico, de 27 anos, e que já tem mais de 300 mil seguidores.
Morango traída pelo Manga
A ideia foi disseminada e entretanto apareceram várias contas no Instagram e no TikTok com diversas versões do conceito. Há de tudo, desde a maçã que troca o namorado, Banana, pelo musculado Melancia, à Morango que está grávida e descobre que é traída pelo Manga, ou a escultural Cereja que é assediada pelo PT. Estas micro histórias, que dão pelo nome de “frutinovelas” misturam drama, romance, infidelidade e humor são protagonizadas por frutas humanizadas, criadas com inteligência artificial e que se estão a tornar virais nas redes sociais.
Os “atores” têm o formato de frutas e vegetais e estão a captar a atenção de milhões de utilizadores. O fenómeno global, que começou como uma paródia aos reality shows e às novelas latinoamericanas, transformou-se num formato viral, com vários autores a criarem os seus próprios bonecos – com cabeças de couve flor, cenouras, bróculos, beringelas, mirtilos, morangos, peras, etc. – e os argumentos mais criativos.
Assédio, preconceito e violência
Os episódios curtos (com menos de dois minutos) têm tramas de conflitos familiares e sentimentais, traições e situações surpreendentes que tentam agarrar o público até ao desenlace. As personagens têm nomes apelativos, como “Banana Negra”, “Chica Laranja” o “Limão Limone”. Graças a ferramentas de inteligência artificial, cada vez mais acessíveis, os criadores podem gerar imagens, vozes e guiões sem grandes recursos financeiros, o que permite que utilizadores sem experiência em audiovisual consigam num curto espaço de tempo desenvolver os vídeos e publicá-los.
Segundo especialistas, o conceito funciona porque provoca emoção instantânea e curiosidade: a combinação ideal para o consumo rápido nas redes sociais. O problema é que apesar de os bonecos serem coloridos e aparentemente inócuos, o conteúdo dos guiões incluem violência física e psicológica, linguagem agressiva, assédio, discursos preconceituosos e situações extremas sem consequências, em que as personagens femininas são quase sempre as humilhadas, terminando os episódios em lágrimas. No entanto, a trend tornou-se num negócio rentável e já existem cursos online que ensinam a criar as “frutinovelas”, que levantam mais um debate sobre os limites do entretenimento digital.
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