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11 de setembro. Debbie, a sobrevivente: a primeira a ser hospitalizada, a última a sair

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Levou com estilhaços de um avião em cima. Um desconhecido ajudou-a, no meio dos escombros. Salvou-se pela rapidez com que foi socorrida. Hoje está em cadeira de rodas, mas consegue andar a cavalo.

São de esperança as imagens que captam a felicidade com que Debbie St. John, 54 anos, monta a cavalo na sua quinta nos Estados Unidos. Atrás de si, vai o alemão Stefan Horlacher, antigo corretor de bolsa, o homem responsável por esta cena fazer parte das boas memórias saídas do 11 de Setembro. As histórias são tantas, que nem é de espantar que ainda hoje, 25 anos depois, haja enredos desconhecidos. Foi esse o trabalho da equipa do produtor David Glover, que compôs três episódios com narrativas de quem se salvou mutuamente nesse dia, embora nunca mais se tenham visto até a produção os juntar de novo em Reunited 11/09 (Disney+).

Debbie agradece ao seu salvador
Debbie agradece ao seu salvador D.R.

A consultora Debbie St. John tinha 30 anos em 2001, ia no metro, numa altura em que os telemóveis não estavam ligados à net 24 horas por dia, quando a primeira torre caiu, por isso desconhecia o que iria encontrar à saída das escadas que a levaram à superfície, rumo aos escritórios da American Express, onde trabalhava. Quando o segundo avião (United 175) embateu na torre sul, choveram pedaços da aeronave que atingiram quem tentava fugir do caos. Stefan vê um em sua direção, desvia-se e ele cai em cima de Debbie. ”Senti culpa, mas percebo que ainda estava acordada, embora em choque”, relata, numa das cenas do documentário.

Ao decidir ajudá-la, apercebe-se de que ela não tem costas, que os seus órgãos estão expostos, porque toca nos intestinos com as suas mãos. “Não vou deixar-te ir. Mantém-te viva!”, exclamou, de forma quase irracional. E entregou-a nestes preparos, com muita dificuldade, numa ambulância que viu no local - a primeira a chegar ao caos. Debbie foi por isso, a primeira vítima a chegar ao hospital mais próximo e a última a sair - esteve 18 meses internada, submeteu-se a 50 cirurgias e ainda hoje precisa, na maior parte do tempo, de uma cadeira de rodas. Atualmente, é casada, mãe de duas filhas gémeas, e dedica o seu tempo a dar palestras motivacionais. Na cerimónia que a uniu a Gregory St. John, conseguiu entrar na igreja a caminhar pelos próprios pés. Mais tarde, no copo de água, dançou nos braços do marido, cumprindo assim o seu sonho. 

Também está  a escrever um livro sobre a superação física a que se sujeitou e a recuperação da dependência de opioides, a que recorreu no seguimento das dezenas de cirurgias. Na sua página de, mostra frequentemente pormenores do estilo de vida saudável, muito baseado em produtos naturais.

No dia em que Stefan a viu, 25 anos depois, na sua quinta, ajoelhou-se perto da cadeira de rodas, rendido. Já ela, chamou-lhe “salvador” e quis mostrar-lhe que conseguia pôr-se de pé sozinha e, pasme-se, até montar a cavalo.