Angola e Cabo Verde acusam Fernando Pessoa de racismo

Angola e Cabo Verde acusam Fernando Pessoa de racismo
Diogo Barreto 12 de fevereiro de 2019

Jornal de Angola e Expresso das Ilhas fazem eco das críticas à escolha do poeta para um programa de intercâmbio de estudantes entre países de Língua Portuguesa

Era o poeta português Fernando Pessoa racista? É legítimo que dê nome a um programa de câmbio estudantil entre países da Comunidade os Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre os quais se contam países africanos? Intelectuais angolanos consideram que não e estão a tentar re-batizar o programa semelhante ao Erasmus.

A polémica instalou-se quando, esta segunda-feira, o jornal Expresso das Ilhas, de Cabo Verde questionou o facto de nenhuma personalidade do país ter criticado a escolha o poeta para o programa de intercâmbio académico dentro dos países da CPLP, num texto intitulado "Intelectuais angolanos contra a escolha de Fernando Pessoa para patrono de projeto da CPLP". O jornal lembra que Fernando Pessoa terá tecido, durante a sua juventude tardia (aproximadamente com 28 anos), ideias racistas para com alguns povos africanos. No texto em questão, o autor de Mensagem refere que considera a escravatura como "lógica e legítima".

Nascido em 1888 e a crescer dentro do império português e inglês (a sua juventude foi passada na colónia inglesa da África do Sul), Fernando Pessoa considera que a determinados povos "escravizá-lo é que é lógico", como mostra a citação abaixo, retirada de um documento presente no Arquivo Pessoa e intitulado: "O imperialismo de expansão tem um sentido normal".

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