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“O meu maior medo é o meu filho se tornar um agressor”

Lucília Galha
Lucília Galha 24 de fevereiro de 2026 às 23:00

A 10 de novembro de 2025, José Lucas ficou com as pontas dos dedos amputados, por causa de dois colegas da escola. A mãe, Nívia Estevam, acusou a instituição de maus-tratos e quer que seja responsabilizada pela agressão. Numa entrevista exclusiva e emocionada à SÁBADO recorda todos os pormenores do dia em que encontrou o filho ensanguentado e com uma mordaça na boca, para aguentar a dor. Teme que ele nunca mais volte a ser o mesmo, e que se culpe pelo que aconteceu.

"Quando já estávamos a entrar na Pediatria do Hospital de São João [no Porto ], o bombeiro pegou e disse: ‘Tens de segurar nisso, porque talvez eles consigam colocar no lugar.’ E pôs-me a luva na mão. Aí eu perguntei: ‘O que é isso?’ E ele falou: ‘É o dedo dele.’ ‘Mas o dedo não está no lugar?’, perguntei. ‘Não, o dedo dele está aqui dentro’, respondeu. Foi quando eu descobri. Foi das piores coisas que já senti na vida, porque é muita impotência, a gente não consegue trocar de lugar. E aí eu imaginava como é que uma criança tão pequena consegue sentir tanta dor? Como é que eu vou agir? Porque não há manual para ser mãe e jamais se imagina que isso vai acontecer com os nossos filhos. A minha vontade era ir para o colo da minha mãe e chorar, mas eu era a mãe naquele momento, ali. Apesar da dor que sentia no meu corpo, tinha de estar ali bem para ele. Tinha de ser otimista. Vai ficar tudo bem, está tudo bem.”

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