Neto de Gandhi fala das lições do avô

 Neto de Gandhi fala das lições do avô
Vanda Marques 05 de novembro de 2017

O neto de Gandhi passou dois anos com o avô e nunca esqueceu as lições que aprendeu. Foi jornalista, fundou um Instituto para a Não-Violência e escreveu o livro O Dom da Ira. Porque a raiva é um sentimento maravilhoso, mas tem de ser controlado.


Vender autógrafos não é uma coisa que imaginemos Gandhi a fazer. Mas a verdade é que o líder do movimento da não-violência, que derrubou o Império Britânico na Índia, sabia o valor do dinheiro. Para conseguir ajudar os seus centros de educação e apoio a crianças e mulheres, fazia tudo. Até vender autógrafos. E nem o seu quinto neto, Arun Gandhi, que viveu com ele dos 12 aos 14 anos, era excepção. Nunca recebeu um autógrafo – era um miúdo que não tinha 5 rúpias –, mas recebeu algo muito mais valioso: uma hora por dia com o avô. No livro editado agora pela Planeta, O Dom da Ira, apresenta- -nos as 11 lições de vida de Gandhi.

Qual é a primeira memória que tem do seu avô, Mahatma Gandhi?
Conheci-o aos 5 anos, mas não me lembrava muito bem dele. Tinha uma imagem de uma pessoa muito importante, no meio da política, e quando fui viver com ele, aos 12 anos, pensava que o ashram (local de retiro religioso), apesar de ser simples, seria uma casa normal, com paredes de cimento, mobília... Cheguei e vi a cabana de lama, ele sentado no chão, sem mobília e disse: "Uau! Não era nada disto que eu imaginava."

Achava que ia ter um tratamento especial por ser o neto de Gandhi?
Sim. Não foi fácil, porque era um miúdo e tinha de fazer tudo o que os outros faziam. Pôr termo às distinções entre as pessoas acabava com a discriminação, defendia ele. As tarefas eram iguais, até limpávamos as latrinas. Mas quando vi que o meu avô fazia o mesmo que nós, percebi que também tinha de o fazer.

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