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Quase um terço dos homens da Geração Z diz que a mulher deve obedecer ao marido

Luísa Oliveira 08 de abril de 2026 às 19:26

Já era uma perceção nítida, mas agora a frieza dos números de uma investigação do Imperial College revela que o machismo é uma realidade assente entre os jovens com menos de 30 anos.

Um global, que inquiriu 23 mil pessoas, de 29 países, incluindo a Grã-Bretanha, EUA, Brasil, Austrália ou Índia, realizado pela Ipsos e pelo , do King’s College London, no Reino Unido, revela diferenças marcantes entre as gerações no que toca aos papéis de género. Desde logo, houve 31% dos homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) a concordarem que uma mulher deve sempre obedecer ao marido e um terço (33%) a afirmarem que ele deve ter a palavra final nas decisões importantes.

Estudo revela machismo persistente na Geração Z, com jovens a defenderem a obediência da mulher ao marido Mariline Alves/ Medialivre

Os jovens são duas vezes mais propensos do que os homens da geração Baby Boomer (1946-1964) a ter visões tradicionais e machistas sobre a tomada de decisões dentro do casamento - respetivamente, apenas 13% e 17% dos boomers concordaram com as afirmações do inquérito. Já as mulheres, mesmo as da Geração Z, alinham menos com isso (18%) e uma percentagem ainda menor de mulheres da geração Baby Boomer (6%) defende essa opinião.

No entanto, no meio dos homens, quase um quarto (24%) da Geração Z pensa que uma mulher não deve parecer demasiado independente ou autossuficiente, contra 12% dos da geração Baby Boomer. Entre as mulheres, a concordância foi de 15% para a Geração Z e 9% para a Baby Boomer.

As atitudes em relação às normas sexuais também diferem acentuadamente entre as duas gerações estudadas: 21% dos jovens consideram que uma "mulher de verdade" nunca deve ter iniciativa no sexo, em comparação com 7% dos baby boomers, qualquer que seja o género. De realçar que ainda há 12% das mulheres da Geração Z a concordar com isso.

Apesar de acreditarem que uma pessoa do género feminino não deve parecer demasiado independente ou autossuficiente, em aparente contradição os homens da Geração Z foram também o grupo que respondeu em maior número que as mulheres com uma carreira de sucesso são mais atraentes (41%). A mesma opinião só é partilhada por 27% dos baby boomers.

Perante a contradição, Kelly Beaver MBE, diretora Executiva da Ipsos, no Reino Unido e na Irlanda, realçou: "O inquérito mostra-nos que estamos a assistir a uma grande renegociação na forma como tanto homens como mulheres assumem os papéis de género na sociedade atual. Particularmente entre a Geração Z, os nossos dados revelam uma dualidade interessante: este é o grupo mais propenso a concordar que as mulheres com uma carreira de sucesso são mais atraentes, mas, simultaneamente, o mais propenso a concordar que uma esposa deve sempre obedecer ao marido e que uma mulher nunca deve parecer demasiado autossuficiente ou independente."

Ao mesmo tempo, 21% da fação masculina da Geração Z acredita que os homens que se envolvem nos cuidados aos seus filhos são menos masculinos do que aqueles que não o fazem. Em comparação, apenas 8% dos homens da geração Baby Boomer e 14% das mulheres jovens têm a mesma perceção. 

A propósito deste estudo, a professora Heejung Chung, diretora do Instituto Global para a Liderança Feminina da King’s Business School, afirmou: "É profundamente preocupante ver as normas de género tradicionais a persistirem nos dias de hoje. E ainda mais preocupante é o facto de muitas pessoas parecerem estar sob pressão de expectativas sociais que, na verdade, não refletem aquilo em que a maioria de nós acredita." Este relatório pretende acabar com "perceções erradas" e mostrar aquilo em a sociedade acredita verdadeiramente: "As normas de género estão genuinamente a mudar e que cada vez mais pessoas desejam abordagens mais igualitárias e flexíveis. Essas mudanças não só se adequam melhor às exigências complexas da vida moderna, como estão associadas a uma maior felicidade, relações mais saudáveis e um bem-estar melhorado, tanto para homens e mulheres como para as famílias."

Já Julia Gillard AC, presidente do mesmo instituto, mostrou-se preocupada com os resultados e motivada para a ação: “Temos de continuar a fazer mais para dissipar a ideia de um jogo de soma zero em que as mulheres são as únicas beneficiárias de um mundo com igualdade de género. Precisamos de garantir que todos sejam incluídos na jornada da igualdade de género, com uma compreensão clara de por que razão ela beneficia toda a sociedade. Este relatório fornece conhecimentos extremamente necessários sobre as tendências globais em matéria de igualdade de género. Como sociedade, precisamos de resistir à pressão para retroceder e acelerar o ritmo da mudança. Uma boa investigação é fundamental para um debate fundamentado e para o progresso."

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