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Hospital dos Pequeninos, o sítio onde as crianças vão perder o medo das "batas brancas"

Gabriela Ângelo 29 de novembro de 2025 às 08:00

A iniciativa dos estudantes de medicina celebra este ano a sua 24ª edição e o projeto organizado pela AEFML mostrou à SÁBADO os objetivos do projeto e a sua importância.

Numa das entradas da Cantina Velha da Cidade Universitária, no meio do caos e barulho da cidade de Lisboa, encontra-se um pequeno refúgio para os mais novos. Uma oportunidade de aprender e desmistificar o medo associado às "batas brancas" e aos hospitais, visitas que ficam sempre um pouco marcadas por dor e ansiedade. Este sábado vão estar no Pavilhão do Conhecimento e a receber as crianças e os pais.
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Foto: Hospital dos Pequeninos
Foto: Hospital dos Pequeninos
Foto: Hospital dos Pequeninos
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Foto: Hospital dos Pequeninos
Foto: Hospital dos Pequeninos
Foto: Hospital dos Pequeninos
O , que  já vai na 24ª edição, recebe crianças entre os 3 e os 10 anos para aprenderem sobre os processos médicos e possíveis situações em que se podem encontrar, desde consultas básicas, a cirurgias e internamentos. O projeto é organizado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML) e recebe anualmente entre 3.000 a 3.500 crianças, segundo o organizador Francisco Cardetas.  Nesta atividade, a criança leva um peluche ou um boneco e percorre um circuito de dura cerca de uma hora, onde passa por várias estações que pretendem simular diferentes serviços hospitalares. Tem assim a oportunidade de ser médico por um dia e o boneco é o seu paciente. Este ano o tema são “os animais da quinta” e os mini-doutores entram pelas portas de um estábulo para entrarem no imaginário.

O percurso do Hospital dos Pequeninos

A visita começa, como em qualquer hospital, na sala de espera, onde as crianças brincam e pintam, enquanto aguardam pela triagem. Antes de entrarem é lhes dada uma bata que colocam como preparação para esta aventura. É na triagem onde aprendem o significado das diferentes cores das pulseiras e lhes é apresentada uma escala de dor na qual têm de identificar a dor do seu peluche. É lhes dado ainda um babete informativo onde podem colocar a informação relativa ao seu brinquedo que vão recebendo ao longo das diferentes estações. Depois segue-se a consulta, onde há uma introdução aos instrumentos médicos como o estetoscópio e podem aprender sobre os órgãos que estão colocados dentro de um esqueleto. Depois da consulta o brinquedo passa pela imagiologia, onde faz um raio-X e uma TAC e aprendem que as máquinas não estão lá para lhes fazer mal. Os orientadores mostram uma imagem preparada de um raio-X de um boneco para tornar a experiência mais realista. O passo seguinte são as análises onde aprendem a tirar sangue com uma “pica” e são incentivados a “tirarem sangue" aos orientadores e a eles próprios. Daí o destino do brinquedo é o bloco operatório. Na mesa cirurgia estão colocados peluches abertos, com órgãos dentro para as crianças entenderem o que acontece numa cirurgia, mas com um ênfase na parte da anestesia, uma vez que é a única parte de que se vão lembrar. O próximo passo é o internamento onde aprendem que é preciso ficar uns dias a dormir no hospital pós-operação. Na secção seguinte da enfermagem podem brincar com os pensos que colocam nos peluches e é na farmácia que aprendem sobre os medicamentos e as diferentes formas em que podem ser tomados, desde comprimidos a xaropes, sem esquecer as “picas”. Passam depois pela estação de nutrição onde lhes é ensinado a criar uma refeição saudável, por vezes fazendo uma correção da alimentação a que possam estar habituados em casa, que pode nem sempre ser tão saudável. A banca seguinte, a da psicologia, é dedicada à saúde mental. Ali, as crianças descrevem o que o boneco pode estar a sentir e a identificar sentimentos menos positivos associados à dor. Podem também pintar sentimentos como os do filme da Disney Divertidamente e são ensinados que todas as emoções são importantes e devem ser sentidas. São encorajados a desabafar e a colocar os seus sentimentos numa caixinha de confidencialidade, que simboliza que tudo o que contarem aos médicos, enfermeiros, pais ou educadores não vai ser partilhado. A organização do HP conta à SÁBADO que foi graças a esta estação que no ano passado conseguiram sinalizar uma situação de alerta de uma criança que desabafou com os estudantes. Por fim, e a parte que, segundo o organizador, é a mais divertida, é a estação do dentista, e em específico a cadeira do dentista. Pode parecer assustadora num consultório, mas no HP é divertida: sobe, desce e recua. Os instrumentos que seriam aterrorizadores agora servem para tratar “cáries” dos peluches. No final da aventura, levam um saco com jogos e livros para complementar a aprendizagem.

Impacto nos alunos e organizadores

Para os alunos de medicina que integram o projeto acaba por ser “um grande complemento à formação médica”, explica Francisco Cardetas, porque não só entram em contacto com crianças, o que pode ser útil para quem quer seguir para a área de pediatria, mas também “a comunicação com os outros” de patrocinadores a colaboradores. O Hospital dos Pequeninos conta também com colaboradores de outras associações de estudantes, nomeadamente, da Faculdade de Farmácia (AEFFUL), da Faculdade de Psicologia (AEFPIEUL) e a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (AAMDL) e da Escola Superior de Saúde Egas Moniz (AEESSEM). De momento, o projeto é apenas dirigido às escolas na Cantina Velha da Universidade de Lisboa, no entanto, nos dias 29 e 30 de novembro será aberto às famílias no Pavilhão do Conhecimento. 
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